|
|
|
|
Publicado em 23/04/2008 Na raça![]()
Foi na base do erro e do acerto que Vilson aprendeu sobre a dureza na estrada, mas não troca de profissão por nadaTexto e fotos: Jorge Carvalho É duro começar em uma profissão quando se é muito jovem e sem nenhuma experiência na área. Bom seria se todos tivessem alguém para servir de conselheiro. Mas isso não aconteceu com Vilson Fernando do Prado quando decidiu ser caminhoneiro. Ele precisou aprender na cara e na coragem. Gaúcho de Novo Hamburgo, mora hoje em Natal, no Rio Grande do Norte. Trocar o Sul pelo Norte ou o frio pelo calor foi uma decisão tomada há cinco anos. Vilson conta que transportava pelo País móveis fabricados no Rio Grande do Norte e no Ceará. Em outras palavras, ele tinha que sair de sua cidade e atravessar o Brasil para buscar as cargas. “Não dava para continuar daquele jeito. O melhor foi mudar de região para ficar perto de trabalho.” Apesar de ser gaúcho e estar habituado com o clima frio da região Sul, ele afirma que não demorou a se adaptar à temperatura quente de Natal. “Sou um gaúcho fora dos padrões, pois não gosto do frio. No inverno, quando viajo para o Sul e o Sudeste fico louco para voltar para casa.” Caminhoneiro há 20 anos, ele conta que antes de lidar com transporte de cargas foi funcionário de fábricas de calçados em sua cidade. Trabalhou no setor calçadista dos 12 aos 18 anos, mas não gostava de passar o dia inteiro preso dentro da fábrica. Decidiu demitir-se e empregou-se em uma transportadora como lavador de caminhões. Mas havia um porém: era necessário manobrar os veículos e ele não tinha habilitação. “O patrão me deu uma oportunidade e aprendi rápido a manobrar os caminhões. Daí para tirar a habilitação e cair na estrada foi um pulo.” ![]()
A primeira entrega, um caminhoneiro nunca esquece. Seu primeiro compromisso de trabalho foi uma remessa de calçados para o Rio de Janeiro. Mas houve um imprevisto que quase o fez desistir da nova profissão. “O outro caminhoneiro que me acompanharia ao Rio de Janeiro não apareceu e tive que fazer a entrega sozinho. O problema é que eu nunca havia saído da cidade. Mas isso era o de menos. Meus problemas estavam apenas começando.” Inexperiente, ele se perdeu várias vezes e fez muitas barbeiragens na estrada. Uma delas foi descer a Serra do Azeite, em Cajati, estado de São Paulo, em alta velocidade. “Os outros caminhoneiros me xingaram muito e perguntavam aos gritos se eu queria me matar.” Ele diz que já estava pensando em desistir e voltar para casa quando um caminhoneiro que iria fazer o mesmo trajeto percebeu que ele estava perdido e o ajudou. “Eu era muito jovem e chorava com saudade da família, pensava que não iria conseguir chegar no destino. Aquele caminhoneiro caiu do céu.” Hoje, com muito orgulho, ele dirige um Ford Cargo ano 2007 comprado com as economias. Quando está na estrada, se percebe que alguém precisa de ajuda, não vacila, ajuda e sente-se orgulhoso em retribuir o que recebeu anos atrás: a ajuda de um colega de estrada. Vilson conta que o filho de 20 anos optou pela mesma profissão. “Ele tem a oportunidade de ter algo que eu não tive: alguém para orientá-lo e aconselhá-lo. Me preocupo com meu filho porque sei o quanto a vida na estrada é dura, mas fazemos o que gostamos e é isso o que importa.” Leia mais
|