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Publicado em 16/04/2008 Sempre bem-acompanhado![]()
Existe algo melhor numa viagem do que a companhia da esposa? Para este caminhoneiro a reposta é: não!Texto e fotos: Jorge Carvalho Algumas vezes, o desejo de ser caminhoneiro pode demorar um pouco a ser realizado. Foi o caso do catarinense de Laguna, Brás Ribeiro de Souza. Sua cidade é conhecida como a terra do siri, do camarão e de Anita Garibaldi, heroína da Revolução Farroupilha ou Guerra dos Farrapos, (nomes pelos quais ficou conhecida a Revolução Republicana contra o governo imperial do Brasil que durou de 1835 a 1845, e reconhecida como o conflito armado mais duradouro que ocorreu no continente americano). Caminhoneiro há nove anos, Brás conta que há mais de vinte já percorre as estradas que ligam o Brasil com a Argentina e Chile. Isso explica-se pelo fato de ter sido motorista de uma empresa de turismo dirigindo ônibus para esses países da América do Sul. “Trabalhei na empresa por 25 anos e cheguei a me aposentar. Para não ficar sem fazer nada fui ser caminhoneiro. O fato de já conhecer a rotina de viagens facilitou muito a minha nova atividade.” Mas isso não quer dizer que ele não tenha estranhado um pouco a nova realidade. “Olhava pelo espelho e não via os passageiros. No começo ficava incomodado com aquilo, mas logo me acostumei.” ![]()
Um novo dia, uma nova aventuraApesar da pesca de crustáceos ser comum em seu Estado, ele não lida com o transporte do produto. “Não transporto perecíveis, minha carga mais comum são os produtos descartáveis como copos e pratos.” Poucas foram as situações curiosas pelas quais ele passou em todos estes anos. A única exceção que se recorda é de uma briga que teve com um “chapa” (pessoa que ajuda a carregar e descarregar o caminhão). Brás trouxe uma carga de copos descartáveis de sua cidade para São Paulo. Ao chegar no destino, ele e o ajudante começaram a descarregar a mercadoria. Brás percebeu que o rapaz colocou uma caixa de volta no caminhão e ficou desconfiado. Ficou furioso, pois imaginou que o rapaz estivesse querendo furtar o produto. “Fiquei bravo, perdi a calma e fui para cima dele. Se alguém do depósito desse pela falta iriam achar que o ladrão era eu.” Ao verificar o conteúdo viu que se tratava de sabão em pó e o rapaz era conhecido do caminhoneiro e tentou explicar que ele havia se enganado. “De fato eu nunca tive nada a dizer do rapaz e acabei pedindo desculpas. Dirigir por muito tempo e ter de cumprir prazos apertados desgasta os caminhoneiros e acabamos perdendo a calma à-toa.” Casado há 25 anos, em suas viagens ele sempre tem a companhia da esposa Glória e nem cogita a possibilidade de rodar pelo País sozinho. Ela sorrindo, admite que não gostou muito da idéia do marido ser caminhoneiro, pois achou que iria ficar por vários dias sem vê-lo. Mas como os filhos já estavam ‘criados’, decidiu acompanhá-lo logo nas primeiras viagens. “Pensei que não iria me acostumar com a vida na estrada, mas, gostei tanto que nunca mais deixei o Brás viajar só. Estamos sempre juntos e cada dia é uma nova aventura, um novo lugar para conhecermos. Estamos sempre em lua-de-mel”, afirma Glória. Seu caminhão é um Mercedes-Benz 1113, ano 83. Brás já teve a oportunidade dirigir outros veículos, inclusive um Volkswagen Constellation, novo em folha, mas prefere o 1113. “A cabine do Mercedes é bem mais espaçosa e confortável que a de outros caminhões, ou seja, é ideal para quem viaja acompanhado como eu.” Leia mais
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