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Publicado em 19/03/2008

O roqueiro da estrada

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José Francisco Sika

Fran percorrre as estradas ao som de rock and roll e tem visual totalmente diferente dos colegas caminhoneiros

Texto e fotos: Jorge Carvalho

Todo caminhoneiro usa roupas confortáveis e chinelos, tem os cabelos bem curtos e curte som sertanejo. Certo? Errado. Ou melhor, toda regra tem as suas excessões e José Francisco Sika, o Fran, é uma delas. Ele só veste roupas pretas, tem cabelos na altura dos ombros e adora um rock and roll.

Caminhoneiro há 12 anos, pode-se dizer que é um exemplo atípico: um roqueiro da estrada. Paulistano do bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo, já teve outros empregos antes de lidar com transporte de carga. Foi escriturário, bancário e trabalhou até em uma oficina como mecânico de automóveis. O último trabalho antes da mudança radical foi no departamento pessoal de uma pedreira, onde passou a ter contato com vários caminhoneiros.

“Perguntava para eles como era a vida na estrada e prestava atenção em tudo o que diziam. Passei a me imaginar dirigindo um caminhão e trabalhando com transporte de carga.” Ele conta que com o passar do tempo, o desejo de ser caminhoneiro foi aumentando, até que um dia chutou tudo para o alto e foi trabalhar em uma transportadora para saber se tinha vocação para a vida na estrada. “Acabei ficando seis anos na transportadora. Descobri que tinha nascido para a profissão.”

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José Francisco Sika

Sua primeira viagem foi para Petrópolis, no Rio de Janeiro, levar cevada a uma grande cervejaria. A sensação foi inesquecível. “Foi muita adrenalina. Fiquei meio-tenso, mas fui relaxando aos poucos. Afinal, estava fazendo algo novo. Mas logo descobri que tinha mais vocação para o trabalho do que imaginava.”

Hoje, ele dirige um Mercedes-Benz, modelo 2318, ano 1991 e diz que não escolhe trabalho. “Sou caminhoneiro autônomo e transporto de tudo. Só não levo contrabando. Verifico as notas fiscais e tudo. Não quero encrenca.”

Fã de Led Zeppelin, Pink Floyd e Deep Purple, ele sabe que tem um gosto musical bem diferente dos colegas de profissão, que costumam ouvir música sertaneja. Mas engana-se quem acha que ele vai ouvindo as músicas de suas bandas preferidas no último volume dentro da cabine. “O som alto desconcentra e impede que eu ouça, por exemplo, a sirene de uma ambulância ou as buzinas de outros veículos. Só ouço músicas quando estou parado.”

Apesar de gostar de usar roupas pretas e ter um jeito que aparenta rebeldia, ele considera fundamental ter profissionalismo e integridade; afinal, o ramo de transportes de carga não é diferente de nenhuma outra atividade profissional. “Sou roqueiro, mas preciso comer e pagar as contas. Uma boa imagem e educação não faz mal a ninguém. Sou meu próprio cartão de visitas”, diz sorrindo.

Fran conta que já rodou muito as estradas do País e de todos os lugares por onde andou, o que mais o atraiu foi a região Norte, mais precisamente no estado do Amazonas. “Gostei de estar no meio da selva e de percorrer os rios sobre uma balsa. É uma viagem cheia de mistérios. Tenho certeza que escolhi a profissão certa. Adoro ser caminhoneiro, percorrer as estradas, estar em diferentes lugares e conhecer pessoas novas.”

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