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Amor à segunda vista

Publicado em 12/03/2008

Amor à segunda vista

Mário Bueno não gostou da primeira experiência na estrada, mas não teve jeito: virou caminhoneiro

Texto e fotos: Jorge Carvalho

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Mário Bueno

Será que trocar a segurança de um bom emprego pela vida na estrada vale a pena? Para Mário Bueno valeu. Paulistano da Vila Alpina, Zona Leste da capital, fez a troca há 25 anos. Antes de ser caminhoneiro, foi faturista em uma empresa. Entre outras atividades emitia notas e duplicatas. “Naquela época o computador era uma novidade e Internet nem existia. Tudo era feito na máquina de escrever ou à mão mesmo”, diz, lembrando que o salário que recebia no final do mês era o suficiente para manter a casa.

Estava em férias quando um amigo caminhoneiro o convidou para acompanhá-lo em uma viagem de trabalho a Salvador. Foram cerca de oito dias entre ida e volta. Curiosamente, Mário confessa que não gostou muito da experiência. “Mesmo assim, acabei indo em outras viagens e descobri que a vida na estrada oferecia uma sensação muito agradável de liberdade, algo muito diferente do que eu tinha dentro de um escritório”.

Com o passar do tempo, ele foi gostando das viagens e decidiu mudar de profissão. Pediu demissão da empresa onde trabalhava e se empregou em uma transportadora. “Sabia dos riscos de trocar a segurança de um bom emprego para me arriscar em algo totalmente novo. Mas não me arrependo. A vida de caminhoneiro, apesar das dificuldades, me fez ir a lugares que eu nem imaginava que existissem”.

No início, as primeiras viagens eram para o Nordeste, principalmente para a Bahia. Apesar de inexperiente, Mário declara que não teve medo de cumprir os primeiros compromissos de trabalho sozinho. “Naquela época, era bem mais seguro que hoje. O perigo existia, mas era bem mais difícil ouvir falar em roubo de carga. Agora, os assaltos são uma rotina na vida de quem lida com caminhões.

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Mário Bueno

Segundo ele, outra característica da profissão é o fato do tempo passar muito rápido. Apesar de nunca ter desejado deixar a estrada, ele afirma que mesmo que quisesse não teria como. “A impressão que dá é que esses 25 anos passaram em um piscar de olhos. Nem sei o que faria se deixasse de ser caminhoneiro. Além disso, a idade já não permite ficar aventurando por outras profissões”.

Mas engana-se quem pensa que a sua rotina é apenas de trabalho. Sempre que pode, Mário gosta de, entre uma viagem e outra, conhecer as belezas das cidades por onde tem a oportunidade de passar. O Nordeste é a sua região preferida, além do Rio de Janeiro, onde costuma ir com freqü­ência. “Acho as praias de Maceió as mais lindas do país. Também admiro muito as belezas de Cabo Frio. O Brasil é um país privilegiado em matéria de belezas naturais”.

Com seu Scania 112, ano 1984, ele vai regularmente ao terminal de cargas da rodovia Fernão Dias atrás de trabalho, pois lá atuam os agenciadores de carga que ganham uma comissão de cerca de 10% do valor do frete. Como bom caminhoneiro, Mário não escolhe o tipo de encomenda a ser entregue. “Tenho mulher e três filhos para sustentar. Por isso meu amigo, transporto de pregos a foguetes, se precisar”

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