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Publicado em 05/03/2008

Sonho de Criança

Desde menino Jerri Dias sonhou em percorrer o Brasil em um caminhão

Texto e fotos: Jorge Carvalho

Na década de 80, o catarinense Edison Mário Weich trabalhava como cozinheiro em uma plataforma da Petrobras em Macaé, Rio de Janeiro. A ida para Macaé foi em função de uma licitação ganha pela empresa para a qual trabalhava. “Era funcionário de uma cozinha industrial que servia alimentação tercerizada para diversas empresas públicas e privadas. Quando ganhou a licitação para a Petrobras, mudamos para o Rio de Janeiro”.

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Jerri e sua família

Assim como muitas pessoas nascem com vocação para ser médico ou advogado, para ser caminhoneiro é preciso nascer com um gene específico. Um exemplo disso é o gaúcho Jerri Dias, natural de Vacaria. Caminhoneiro há 15 anos, antes de lidar com transporte de carga foi vidraceiro. “Era responsável pela colocação dos vidros das janelas de casas e prédios. Não gostava muito do que fazia. Minha vontade mesmo era ser caminhoneiro”.

Com um irmão e um primo que trabalham com transporte de carga, Dias conta que desde criança sonhou em percorrer as estradas do Brasil a bordo de um caminhão. Aos sete anos de idade já acompanhava os dois para recolher leite nas fazendas da região onde moravam para levar aos laticínios. “Eu ia junto com eles. Abria as porteiras das fazendas para o caminhão passar. Madrugávamos para fazer o trabalho. Nas manhãs muito frias eu não queria sair da cabine e eu levava cada bronca...”, recorda com ar saudoso.

A melhor recordação que ele tem daquela época era quando todos paravam para tomar um “camargo”, bebida muito apreciada no sul do país. “É o café feito na hora com leite tirado direto da teta da vaca. É uma delícia.”

O tempo passou e o irmão e o primo foram trabalhar em uma transportadora. Dias já estava adulto quando recebeu o convite para trabalhar na mesma empresa onde os dois (irmão e primo) eram funcionários. Era a chance que tanto aguardava. Abraçou a oportunidade, mas sabia que nem tudo seriam flores.

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Jerri Dias

“Quem acha que ser caminhoneiro é só entrar em um caminhão e sair rodando pelo mundo está completamente enganado. A vida na estrada não é fácil e as primeiras viagens que fiz como teste serviram para me preparar para a realidade que viveria no futuro.”

Para o gaúcho, a dureza da vida na estrada tem inúmeros obstáculos. A violência à qual o caminhoneiro está exposto é o maior deles. “Já fui vítima de assaltos várias vezes, mas sempre consegui sair ileso das situações de perigo”. Há também, as compensações. “O Brasil é um país maravilhoso, com lugares lindos e pessoas muito boas. A cada viagem tenho a oportunidade de conhecer uma cidade nova e pessoas especiais”.

Dias já chegou a dividir a pouca comida que tinha com colegas de profissão e a ajudar pessoas em dificuldades na estrada em razão de problemas nos veículos. “Quem roda pelas estradas uma hora ou outra vai precisar de ajuda. Nessa vida, só recebe quem oferece primeiro”.

Hoje ele dirige um Scania 112, ano 86, mas seu sonho é um dia ser dono de um FH da Volvo. “Já trabalhei com o FH. É um caminhão gostoso de dirigir confortável, espaçoso e forte para a carga”.

Casado há doze anos, sempre que pode, tem a companhia da esposa Marinês e da filha Danúbia em suas viagens. “A estrada é solitária e ter a companhia delas comigo torna as viagens mais divertidas”.

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