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Publicado em 26/02/2008

Da cozinha para as estradas

Caldeirões, escumadeiras e temperos eram instrumentos de trabalho de Edison, hoje, é a carga pesada

Jorge Carvalho

Na década de 80, o catarinense Edison Mário Weich trabalhava como cozinheiro em uma plataforma da Petrobras em Macaé, Rio de Janeiro. A ida para Macaé foi em função de uma licitação ganha pela empresa para a qual trabalhava. “Era funcionário de uma cozinha industrial que servia alimentação tercerizada para diversas empresas públicas e privadas. Quando ganhou a licitação para a Petrobras, mudamos para o Rio de Janeiro”.

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Edison com o Iveco Eutraker ano 2007/foto: Jorge Carvalho

Ele conta que durante todo esse período olhava os caminhões que traziam provisões e equipamentos para a plataforma. “Ficava me imaginando sentado ao volante viajando pelo país dentro de um caminhão daqueles”.

Quando o contrato de prestação de serviços venceu, voltou com a equipe para Itajaí, sua cidade natal. O convite para fazer a primeira viagem de caminhão veio de um amigo, dono de uma transportadora de cargas. Da primeira viagem não lembra muita coisa, mas a recordação mais marcante foi do medo que sentiu por encarar algo novo, do desafio. “Demorou um pouco para relaxar. Passados alguns quilômetros já estava mais tranqüilo. Tinha mesmo que ficar bem, afinal, estava realizando um sonho”.

Edison conta que, no começo, fazia rotas curtas, a maioria dentro do Estado de Santa Catarina. Ao longo do tempo passou a ir para outros Estados. Mas vida de caminhoneiro não é só o glamour que o jovem cozinheiro imaginava: sensação de liberdade, conhecer novos lugares, novos amigos. As dificuldades da estrada e o tempo longe da família começaram a pesar na escolha da nova profissão.

Em 2000, decidiu trocar de atividade. Montou uma empresa que distribuía sementes para agricultura. O negócio deu certo por algum tempo, mas ele acabou tendo de baixar as portas. “Sei mesmo cozinhar e dirigir caminhão, esse negócio de administrar uma empresa, de contabilidade, não é para mim”. E assim, faz dois anos, voltou a trabalhar com transporte de carga.

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Entre uma viagem e outra, preparou tudo no casamento: dos docinhos ao bolo/foto: Jorge Carvalho

Hoje, dirige um Iveco, Eutraker, ano 2007, mas é fã declarado dos caminhões Scania. “São os mais fortes para o transporte, além disso, são muito bonitos e confortáveis”.

Crítico ferrenho das condições das estradas brasileiras, avalia que a privatização é a única saída para que o país tenha rodovias decentes. “Os pedágios são caros, mas se o governo não consegue manter uma boa estrada, temos que nos conformar”. Segundo ele, a estrada por onde trafegou com as piores condições é a Régis Bittencourt. “Já cheguei a contar 35 veículos quebrados em quatro quilômetros. O motivo eram as verdadeiras crateras no asfalto”.

Casado há 18 anos e pai de duas filhas, sempre que pode, leva a família nas viagens. “É maravilhoso ter companhia na estrada. Se for da família então, nem se fala”. Edison diz que até hoje mantém o prazer de cozinhar e que de vez em quando assume o comando do fogão e prepara um verdadeiro banquete para a família. “Sou eu quem prepara os pratos servidos nas festas de família. Inclusive, preparei tudo o que foi servido no meu casamento: dos docinhos ao bolo”.

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