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Publicado em 20/02/2008

De bem com a profissão

De tratorista a vaqueiro, o pernambucano só encontrou a seu caminho quando dirigiu pela primeira vez um caminhão

Jorge Carvalho

Rui de Oliveira, nasceu na cidade de Canhotinho, em Pernambuco e já fez de quase tudo na vida antes de virar caminhoneiro há 28 anos. Foi vaqueiro e segurança particular, pouco antes de trabalhar com transporte de carga dirigiu trator na lavoura. Um dia, um amigo caminhoneiro perguntou se ele gostaria de viajar levando cargas pelo País: a resposta, é claro, foi sim. “Eu tinha pouco mais de vinte anos, mas sempre gostei de enfrentar desafios. Gostei tanto da profissão que estou nela até hoje”.

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“Na empresa que trabalho somos respeitados como profissionais e como pessoas”/foto: Jorge Carvalho

Ele lembra da primeira viagem como se fosse ontem, e afirma que mesmo sendo muito jovem e inexperiente não teve medo de viajar sozinho para um lugar desconhecido. “Fui levar madeira para Jacundá, no Pará. A ansiedade era tão grande que rodei até a madrugada sem sentir cansaço”, diz contando que aproveitou a primeira viagem e foi pegando outros trabalhos ao longo do caminho. “Lembro que fui também para Bahia e Minas Gerais. No total, passei 22 dias viajando. Só voltei para casa quando não deu mais para agüentar a saudade da família”.

Ele conta que sempre trabalhou como autônomo, sem registro em carteira de trabalho, mas ao optar em seguir a profissão de caminhoneiro decidiu trabalhar sob o regime do CLT. Hoje é funcionário de uma empresa de transportes de São Luís do Maranhão e dirige um Scania ano 2006. E não pensa em voltar a ser autônomo, pois gosta de trabalhar na empresa. “Tenho todos os benefícios que uma empresa oferece, como por exemplo o plano de saúde e isso faz uma grande diferença”.

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Paixão pela profissão na primeira viagem/foto: Jorge Carvalho

Ao enumerar os benefícios de trabalhar em uma empresa, Rui fala da decisão do governo que limita o tempo que os caminhoneiros rodam em oito horas por dia. “A decisão irá prejudicar os colegas que trabalham como autônomos, pois eles precisam cumprir os prazos para poderem receber o frete. Sou contra essa decisão do governo”.

Para quem não se lembra, a questão é a seguinte. Uma pesquisa do Ministério Público do Trabalho mostrou que 46% dos motoristas de caminhão, em todo o Brasil, dirigem mais de 16 horas por dia. A pedido do Ministério, a justiça concedeu liminar obrigando as empresas a controlar a jornada dos caminhoneiros.

Esta será uma tentativa de evitar abusos motivados pela pressa para cumprir os prazos. É bom lembrar que 70% dos acidentes nas estradas têm envolvimento de caminhões. “A empresa onde trabalho não permite que os motoristas ultrapassem um determinado número de horas de trabalho. Desta forma, nos sentimos respeitados como profissionais e como pessoas”.

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