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Publicado em 13/02/2008 Liberdade para viajarPara o mineiro Alexandre a profissão de caminhoneiro é sinônimo de liberdade e de conhecer novos costumesJorge Carvalho ![]()
Aidéia de que todo caminhoneiro segue a profissão por influência de algum parente pode ser comum a muita gente. No entanto, não é raro encontrar caminhoneiros que buscam esta profissão pela admiração ou mesmo pelo desafio de percorrer caminhos distantes e descobrir lugares novos. Alexandre Lúcio da Silva é um destes casos. O pai foi trabalhador rural em Minas Gerais e mudou-se com a família para São Paulo; aqui tornou-se taxista. Os filhos mais velhos seguiram a profissão do pai; mas Alexandre, o caçula da família, apostou mais alto: decidiu dirigir longas distâncias e tornou-se caminhoneiro. Nascido na cidade mineira de Leopoldina, vive atualmente em Osasco na Grande São Paulo. Caminhoneiro há 15 anos, sempre esteve ligado à atividade de transporte de carga. Com doze anos já era ajudante de caminhoneiro. Veio daí a vontade de cruzar as estradas do país dentro da cabine de um caminhão. Familiarizado em dirigir tratores na fazenda onde o pai trabalhava, pegar o volante de um caminhão ainda menino foi tarefa fácil. ![]()
“Dirigia os tratores de abusado que eu era. Todos os filhos dos empregados se divertiam assim. Na roça aquilo era normal. Daí a levar um caminhão de brincadeira não foi nada”, diz explicando que só em algumas situações raras que pegava o veículo. Sua função era ajudar a carregar e descarregar o baú. Transportar carga mesmo só aos 19 anos quando tirou a habilitação. Sua primeira viagem foi da capital paulista à cidade de Barcarena, no Pará, onde foi buscar madeira. Ele afirma que mesmo sendo sua estréia como caminhoneiro não ficou preocupado com o fato de viajar sozinho, nem com a enorme distância entre as duas cidades. Também não teve receio da possibilidade do veículo quebrar devido às más condições das estradas ou da sua própria imperícia. “A ansiedade foi grande. Não via a hora de chegar logo ao local da entrega. Mas, apesar de inexperiente tive muita prudência e não aconteceu nenhum contratempo”. Solteiro, ele brinca que não quer o mesmo destino de outros colegas que passam muitos dias longe da esposa. “Caminhoneiro casado que passa muito tempo fora dificilmente não leva ‘gaia’. Não quero isso para mim”, diz em tom irônico. Alexandre muda de assunto e diz que se não tem mulher para dar-lhe conselhos e pedir que tome cuidado nas viagens, tem sua mãe que não é diferente nos pedidos. “Ainda moro com meus pais e minha mãe sempre pede para que eu seja cuidadoso. Pede para eu não correr demais e como toda mãe, para eu ligar para dizer que estou bem ou que cheguei ao destino”. Satisfeito com a profissão, Alexandre dirige um Scania 360, ano 2006 e se orgulha de já ter passado por todos os Estados brasileiros. Segundo ele, o que mais gostou foi do Maranhão. “Além de ser um lugar com lindas paisagens, o povo é muito educado e hospitaleiro”. Questionado sobre se trocaria de profissão ou se seguiria os passos do pai ou dos irmãos, é taxativo: “Outra profissão não me proporcionaria tanta liberdade e conhecimento. Gosto de viajar, de conhecer novos costumes, outros modos de ver e viver a vida”. Leia mais
Publicado em 23/01/2008 |