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Publicado em 06/02/2008

Amor à família e ao trabalho

Apesar de passar muito tempo longe de casa ele sempre buscou passar o maior tempo possível com a família

Jorge Carvalho

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“Não troco minha profissão por nada!”/foto: Jorge Carvalho

Aescolha da profissão implica em decisões que podem se refletir ao longo da vida. O maior reflexo sem dúvida é o convívio familiar. Um caminhoneiro pode passar semanas e até meses sem ver mulher e filhos. Foi assim com Domingos Batista da Silva, paulistano do Bairro do Jabaquara na zona Sul da capital.

Apesar de não se arrepender da opção que fez ao se tornar motorista de caminhão, ele avalia que passar muito tempo longe da família foi o único ponto negativo da escolha. “Não pude acompanhar todas as fases de crescimento das minhas meninas, hoje adultas”. Mesmo assim ele buscou compensar esta ausência, que chegou a durar até dois meses, com o máximo de dias ao lado da família. “Ficava em casa por dez ou quinze dias. Infelizmente não podia ser mais. Autônomo não pode ficar muito tempo parado”.

Caminhoneiro há 15 anos, ao contrário da maioria dos colegas, não tem parentes na profissão. Segundo explica, o desejo de trabalhar com o transporte de carga veio da convivência com amigos caminhoneiros. “Cheguei a acompanhá-los em viagens curtas para cidades como Rio de Janeiro e Brasília. A experiência fez com que eu me interessasse por ganhar a vida rodando as estradas”. Antes disso foi motorista de ônibus rodoviário. Outro diferencial dele em relação aos companheiros de trabalho é o fato dele ser da capital paulista. Por que é diferente? A grande maioria dos caminhoneiros que rodam pelo País vêm do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, onde existem famílias inteiras atuando na profissão.

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Orgulho do Ford Cargo 322, ano 2001/foto: Jorge Carvalho

Na sua opinião o número escasso de caminhoneiros de São Paulo e a tradição dos Estados do Sul na atividade têm algumas explicações. “Em São Paulo há muito mais oportunidades de trabalho do que em outros Estados. Sendo assim, aqui só se torna caminhoneiro quem realmente gosta da vida na estrada”. Segundo Domingos há um outro fator determinante para que os caminhoneiros do Sul se espalhem pelas estradas brasileiras. “A região detém boa parte da produção de grãos do Brasil. Haja caminhão para levar tudo isso”.

Casado e pai de três filhas diz brincando que não corre o risco de ter outro caminhoneiro na família. Mas, afirma que seria totalmente favorável se tivesse um filho que mostrasse o desejo de encarar a dureza da estrada. “É uma vida com muitas dificuldades, mas também pode ser uma ótima escola. Aprendi muito a dar valor a cada conquista pessoal, como adquirir meu próprio caminhão por exemplo”. Ele se refere ao Mercedes-Benz modelo 1933, ano 88. Em seu veículo costuma transportar as chamadas cargas leves como eletrodomésticos principalmente para o Nordeste.

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