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Publicado em 30/01/2008 Jovem veteranoAos 16 anos Robson assumiu o volante de um caminhão e não quer largá-lo por nadaJorge Carvalho ![]()
A vida profissional do catarinense Robson Pires dos Santos começou antes mesmo dele ter idade para dirigir. Nascido em Santo Amaro da Imperatriz - Santa Catarina, pouco antes de se tornar caminhoneiro trabalhou como ajudante em uma loja de materiais de construção. Um dia o motorista que fazia as entregas decidiu sair da loja e surgiu a oportunidade. O dono do estabelecimento peguntou se ele gostaria de assumir as entregas; o rapaz aceitou, mas havia um detalhe importante: tinha apenas 16 anos. Mesmo assim o patrão apostou nele. O resultado: nunca mais deixou de dirigir caminhões. Se pudesse escolher seguiria a profissão que sonhou quando era criança, mas as condições financeiras limitadas apontaram para outra realidade. “Queria mesmo ser médico, mas mesmo assim não reclamo do que faço hoje. Ser caminhoneiro é algo que já deveria estar no meu sangue. Meu prazer em trabalhar na estrada não tem tamanho. Hoje posso dizer que não trocaria o meu trabalho por nada”. Assim que completou 18 anos tirou a habilitação e pediu demissão na loja para trabalhar com transporte de cargas. Robson conta que a sua primeira viagem a trabalho foi para Recife e a lembrança mais marcante foi ter usado “arrebite” (droga estimulante que acelera o funcionamento do cérebro e do sistema nervoso central). “Um caminhoneiro mais velho me ofereceu. Dirigi por 36 horas sem sentir sono. Tinha um prazo apertado para cumprir e precisava do dinheiro”. Depois disso ele decidiu não fazer mais uso dos comprimidos. “A sensação é péssima; tive palpitações e cheguei a ter alucinações. Via a sombra das placas na estrada e pensava que eram pessoas. Não quero mais passar por aquilo”. ![]()
Hoje dirige um Ford Cargo 322, ano 2001, um caminhão relativamente novo diante da maioria que circula pela estradas do País. “Já dirigi outras marcas e modelos, mas este é um dos melhores, pois é bem potente”. No entanto, ele afirma que existe uma desvantagem no Ford Cargo em relação à concorrência. “Falta conforto. A cabine é pequena e fica bem apertada se viajo com um acompanhante”. Ele descobriu isso quando Cristiane, sua noiva, há três anos tirou férias e decidiu acompanhá-lo em uma viagem que durou um mês. Quem está habituado consegue tirar de letra a rotina da estrada como dormir na cabine e a falta de um banheiro por perto. “Foi a primeira vez que ela me acompanhou. Engraçado que apesar de todo o calor que enfrentamos ela dormiu durante boa parte do trajeto”. ![]()
No entanto, Robson recorda que ruim mesmo foi a falta de um banheiro para a noiva. Durante a viagem aconteceu um acidente na estrada com um caminhão-tanque. Formou-se então uma fila de caminhões parados até que a pista fosse liberada. Foi aí que deu vontade na moça. “Tive que cortar uma garrafa plástica para ser usada na emergência. Fechamos as cortinas da cabine e teve de ser ali mesmo”, diz divertindo-se com a adaptação criativa feita para a futura esposa. A experiência serviu para que Cristiane descobrisse o quanto podem ser duras as condições de trabalho do noivo. Agora segundo Robson ficou mais fácil para ela entender o porquê ele não troca de profissão: “Apesar de tudo isso nos divertimos muito. Ela conheceu muitos lugares e ficamos juntos todo o período e ela já disse que quer viajar comigo de novo”. Leia mais
Publicado em 23/01/2008 |