Publicado em 23/01/2008
Cumplicidade na estrada
Família de mato grosso viaja unida e não abre mão da companhia da filha que praticamente nasceu no caminhão
Jorge Carvalho

Sempre que começamos algo novo nunca temos a certeza se irá dar certo. As dúvidas sobre ter feito a escolha certa são muito comuns durante a trajetória da vida. Quando Renato Backis decidiu trabalhar com transporte de carga fora de Mato Grosso foi exatamente assim.
Morador da cidade de Comodoro, bem na divisa com Rondônia, sempre lidou com caminhões; o começo foi com o transporte de madeira dentro do Estado. Com o tempo passou a considerar a possibilidade de usar a profissão como forma de conhecer outros lugares. A decisão estava tomada: iria desbravar novas fronteiras a bordo de um caminhão.
Renato lembra com muito carinho da primeira viagem que fez para outro Estado, mais exatamente para o Rio Grande do Sul; praticamente cortando o Brasil de norte a sul, literalmente. “Levei uma câmera fotográfica e tirei várias fotos no caminho. Fiz isso porque achei que aquela fosse minha única viagem”.
Com bom humor afirma que foi bom ter se enganado. Afinal, já se passaram seis anos desde que fez aquela viagem. “Errei feio, mas foi bom. Não me vejo fazendo outra coisa na vida”. Hoje ele dirige uma caminhão Volvo LC, 1998 com baú refrigerado, pois a carga mais comum de seu Estado para São Paulo é a carne que abastece os frigoríficos.
Casado há três anos ele viaja sempre acompanhado da esposa Renata. No entanto, há dois anos eles ganharam uma companhia mais do que especial. É a pequena Letícia, que viaja com o casal desde recém-nascida. “Não queria viajar sem as mulheres da minha vida. Então, elas passaram a me acompanhar onde quer que eu vá”.
Renata afirma que a princípio não gostou da idéia de namorar um caminhoneiro. “Imaginei que iria ficar vários dias sem vê-lo. Não pensei que passaria a ir com ele em todas as viagens”.
Apesar de não se imaginar em outra atividade, Renato já viveu momentos que o fizeram refletir sobre até que ponto vale a pena ser caminhoneiro. Um destes momentos foi quando aconteceram dois acidentes que o deixaram bastante abalado. Ambos foram na BR-282 em outubro de 2007, que deixaram 26 mortos e 90 feridos.

Os acidentes aconteceram entre às 19h30 e às 21h da noite do dia 9. O primeiro envolveu um caminhão e um ônibus fretado ocupado por 40 pessoas. Enquanto as equipes de resgate socorriam os feridos, um caminhão desgovernado bateu nos veículos parados e atropelou várias pessoas que estavam no acostamento.
“Estive no local um dia depois do acidente e chego a me arrepiar quando lembro do que vi”.
Ele se refere a vários veículos caídos na ribanceira, muito sangue e pedaços de roupas para todo lado. “Parecia que estava vendo um daqueles filmes de guerra. Fiquei muito impressionado, mas a vida segue em frente”.
O acidente que chocou não só Renato, mas a população em geral, foi para ele uma forma de redobrar os cuidados e atenção na estrada, afinal de contas, além da própria vida carrega com ele o que mais ama: a esposa e a filha.
Se o regulamento permitir, Alessandro estará na próxima edição do concurso. “Ainda não sei se poderei participar. O regulamento pode mudar e aí ficarei de fora. Mas, se for possível irei outra vez”. Para aqueles que pretendem encarar a disputa deste ano, Alessandro avisa que é preciso estudar muito para ter um bom desempenho. Ele diz que pesquisou o conteúdo das provas no site da organização e estudou muito, principalmente, a parte de mecânica. “As perguntas eram extremamente técnicas e não apenas sobre mecânica básica. Eu estudei muito e fui preparado para fazer o melhor possível”.

Leia mais