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Publicado em 26/12/2007 Aprendiz da estradaEle afirma que teve de deixar os estudos cedo para trabalhar, mas a vida e a estrada foram suas grandes escolas
Caminhoneiro há 30 anos, Antônio Moreira Machado, de Cascavel - Paraná já foi eletricista, mas afirma que não gostava do que fazia. Decidiu dirigir caminhões pela necessidade de ter uma profissão que lhe garantisse melhores ganhos. Além disso, afirma que não gostava de ficar muito tempo parado ou fechado dentro de uma sala. “Na estrada não há monotonia. Cada dia que nasce promete situações novas”. Ser caminhoneiro foi a chance de ter uma profissão com um salário melhor que o de eletricista, bem como a oportunidade de conhecer pessoas e lugares diferentes enquanto trabalha. Para ele, apesar das dificuldades, ser caminhoneiro é um vício. “Quem se torna caminhoneiro, por mais que reclame, dificilmente deixa a profissão”. Sua formação escolar não passa da quinta série do antigo ginásio, hoje ensino fundamental, mas conta que a vida na estrada oferece uma vivência que muitos graduados em universidades não possuem. “Para mim, a vida e a estrada foram as melhores escolas que poderia ter e querer. Posso ter pouco estudo, mas meu trabalho permitiu ir muito além do que eu iria se tivesse um diploma na mão. Até porquê no Brasil ter um diploma não é garantia de emprego”. Sua primeira viagem de trabalho foi para Assunção, no Paraguai, com uma carga de bobinas de papel. Antônio lembra que estranhou dirigir nas rodovias paraguaias que são bem mais estreitas que as daqui. “Fiquei preocupado porque tinha a sensação que o caminhão não cabia na faixa. Ficava o tempo todo olhando pelo retrovisor achando que a carreta estava fora da pista”. O BERRO DO BOI
Com orgulho dirige um Iveco Strallis, ano 2007 e sabe que será muito difícil ter problemas mecânicos. “É muito bom dirigir um caminhão novo em rodovias ruins como as que temos na maioria dos Estados. O veículo roda macio e não cansa o motorista. Além do mais, o conforto na cabine é bem maior”. Entre os fatores negativos da estrada está a imprudência dos jovens caminhoneiros. Ele diz que a maioria dos acidentes graves que presenciou foram provocados ou envolveram rapazes com menos de 30 anos. Antônio diz que eles correm muito mais para cumprir os prazos definidos pelos contratantes e acabam se expondo ao risco de acidentes, além de pôr em risco a segurança e até a vida de outras pessoas. “Os caminhoneiros mais velhos são mais cautelosos. A experiência faz a diferença em qualquer situação”. Outro problema notado por ele é o grande número de caminhoneiros que consomem bebidas alcoólicas antes de dirigir. E isso acontece em qualquer faixa de idade. “Já vi caminhoneiros que mal conseguiram andar até o caminhão por conta da bebida. Imagine então na estrada...”. Entre as muitas situações que viveu nestas três décadas como caminhoneiro há uma em especial que ele não esquece; um caminhão que transportava cabeças de gado tombou e 12 bois morreram interditando o caminho. Um grupo de caminhoneiros decidiu ajudar a carregar os animais mortos para liberar a estrada. Um dos bois estava com pescoço torcido e com a barriga muito inchada. Três caminhoneiros se juntaram para tentar carregá-lo até o acostamento. Assim que tiraram o animal do chão veio o susto. Ele soltou um berro parecido com um mugido. Todos se assustaram, mas um dos colegas de Antônio chegou ao ponto de sair correndo para dentro do mato. Depois ficaram sabendo que o som foi provocado pelo ar que estava preso nos pulmões do boi. Mesmo assim, todos riram muito do caminhoneiro assustado. Texto e fotos: Jorge Carvalho |