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Publicado em 19/12/2007 Caminhoneiro urbano
Bancário, funcionário de empreeiteira, motorista de ônibus foram profissões anteriores; ser caminhoneiro é saga de famíliaQuem nunca ouviu falar em família de médicos, advogados, jardineiros, artesãos? Com os caminhoneiros não poderia ser diferente. Elias Hengles mora em Carapicuíba, na Grande São Paulo, e vem de uma família com nada mais nada menos do que sete caminhoneiros. Calma que já vamos saber de tudo. Por 17 anos ele se divide entre a atividade de caminhoneiro e outras profissões que já exerceu, como bancário por exemplo. Após deixar definitivamente o banco onde foi funcionário por cinco anos foi trabalhar em uma grande empreiteira. “Trabalhei em grandes obras como a construção da linha de Metrô da avenida Paulista, entre outras”. Seu último emprego, há quatro anos, antes de se tornar caminhoneiro autônomo definitivamente, foi como motorista de ônibus de viagem. “Trabalhei muito e economizei o máximo que pude para ter meu próprio caminhão”, um Volkswagen 850, ano 2004. Poderia ter comprado um veículo mais antigo, mas considerou o fato de um seminovo oferecer maior competitividade em um mercado tão concorrido como é o transporte de carga, além de representar menos gastos com manutenção. “Estava acostumado a dirigir ônibus que têm manutenção constante. Ao comprar um veículo mais novo quis evitar o risco de ficar parado no meio caminho por problemas mecânicos”, diz completando que optou por trabalhar dentro da cidade.
Para preservar seu veículo costuma andar em baixa velocidade, principalmente nas ruas que têm muitos buracos. Como a maioria das entregas são feitas na periferia, manter baixa velocidade evita acidentes. “Existem muitas crianças brincando nas ruas e a atenção é fundamental para evitar um atropelamento. O motorista de caminhão deve ser muito mais cuidadoso do que por exemplo, o motorista de carro de passeio”. Mas, trabalhar dentro da cidade tem a desvantagem do trânsito. Ele diz que se por um lado há vantagens como por exemplo estar sempre próximo da família e amigos, além de não ter o desgaste de longas viagens, por outro há desvantagens. E enumera o excesso de trânsito, valor dos fretes e a violência. Ele recorda que nos tempos de criança sentia-se feliz da vida quando o pai ou os tios o levavam para passear de caminhão. “Ia fazer as entregas. Era muito divertido. Mas só as que eram próximas. Não ia para as viagens longas”, diz completando que a mais distante foi até Sorocaba. Até hoje ele não esquece da sensação que teve durante o trajeto. “Era como se tivesse ganhado um brinquedo novo”. Texto e fotos: Jorge Carvalho |