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Publicado em 12/12/2007 O menino da cerca e da porteira
Aos dez anos Volmir experimentou a emoção de dirigir um caminhão. Nunca mais largouTodo menino sonha em seguir uma determinada profissão quando crescer, seja médico, bombeiro, jogador de futebol ou outras tantas. Não importa; sonhar faz parte da infância. Com Volmir dos Santos Guarche, não foi bem assim, pois ainda criança ele tinha certeza com o que iria trabalhar. Afinal, além de curtir caminhões ele começou ainda menino na atividade que segue até hoje. Gaúcho de Uruguaina, na divisa com a Argentina, é caminhoneiro há 17 anos e por toda a sua vida profissional lidou com transporte de cargas. Antes de entrar na profissão foi auxiliar de caminhoneiro. Aos nove anos ajudava a carregar o veículo, dobrava a lona e até dirigia o caminhão de vez em quando. “Fui trabalhar com um amigo da família para ajudar nas despesas da casa. Eu era uma mistura de ajudante geral e co-piloto ao mesmo tempo”. A estréia como ajudante foi em uma viagem entre Uruguaina e Chapecó, Santa Catarina. Já a primeira vez que dirigiu um caminhão estava com apenas dez anos e a sensação causada por esta viagem que Volmir não esquece... “Fui para interior do Rio Grande do Sul, não me lembro para qual cidade. Até hoje guardo aquela sensação de ter feito um feito gigante para uma criança. Me senti um super-homem”. Gostou tanto da vida na estrada que largou a escola quando estava na quinta série. “Passava dias fora de casa e não tinha como prosseguir com os estudos. Tinha que garantir o dinheiro no final do mês, assim continuei como ajudante viajando por todo esse Brasil”. Aos 18 anos Volmir teve que dar uma pausa para servir o Exército. Ao dar baixa voltou para a estrada. “Não conseguia emprego e o jeito foi fazer o que sabia melhor”. Hoje, ele roda pelo Brasil e por outros países do Mercosul em um Volvo 340, ano 90. Quando pode, a esposa Adriana o acompanha nas viagens e ela confessa que no começo não gostou muito da idéia de ter um marido que passasse tanto tempo longe de casa. “Com o passar do tempo acabei me acostumando e passei a gostar de acompanhá-lo, mas esta rotina é muito cansativa”. Nesses 17 anos de profissão Volmir jamais esquece de uma situação inusitada que viveu quando tinha 12 anos. Ele conta que foi ajudar na entrega de 18 cabeças de gado em um fazenda no interior de seu Estado. Ainda menino foi guiando o veículo até chegar na entrada da fazenda. A cerca da propriedade era em diagonal e seria necessário fazer uma curva para passar pela porteira. “Olhei de longe e achei que a cerca era reta e mandei ver. Só quando me aproximei é que percebi o tamanho da encrenca. Aí já era tarde. Arranquei porteira e a cerca junto. Fiquei em pânico”, diz rindo ao relembrar da cena. O dono do caminhão não podia dizer que quem estava dirigindo era um menino de 12 anos. Sendo assim, assumiu a responsabilidade e tudo ficou certo. “O dono da fazenda ficou uma fera, mas não cobrou o conserto. Ainda bem”. Texto e fotos: Jorge Carvalho |