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Publicado em 05/12/2007 Caminhos tranqüilosDono de uma calma impressionante, Alemão não quer saber de stress
José Afonso de Melo, o Alemão, é de uma tranqüilidade impressionante e uma rara exceção entre os caminhoneiros. Não tem pai ou parentes que trabalham com transporte de carga. A escolha pela profissão se deu para complementar a renda e sustentar a família. Pernambucano de Pesqueira, há 40 anos mora em São Paulo e sua história se confunde com a de milhões de nordestinos que fugiram da seca que assola o Nordeste. Aos 17 anos, chegou à capital paulista na expectativa de conseguir uma vida melhor; afinal naquela época, permanecer e enfrentar a seca poderia representar miséria, fome e até a morte. “Hoje, o Nordeste se desenvolveu. A agricultura está mais forte e lá está melhor que a região Sudeste”. Durante muitos anos, Alemão trabalhou como motorista de ônibus intermunicipal e para ganhar um dinheiro extra fez economia para comprar um caminhão pequeno. Assim, passou a fazer algumas entregas dentro da cidade. Com o passar dos tempos foi gostando do trabalho e decidiu deixar de ser motorista de ônibus para se dedicar totalmente à profissão de caminhoneiro.
Esta foi uma forma de ficar mais tempo ao lado da família. “Apesar de viajar muito, podia dedicar uma semana inteira à minha esposa e minhas duas filhas”. Também foi uma maneira de fugir de uma das maiores dores de cabeça de quem mora em São Paulo: os engarrafamentos provocados pelo trânsito. Este foi o fator determinante para que ele decidisse fazer suas entregas em cidades do interior e até fora do estado. “Não agüento ficar parado no trânsito. É muito stress. Já recebi propostas para fazer entregas dentro da cidade, mas não quero de jeito nenhum. Na estrada não tem nada disso e ainda é muito prazeroso”. Segundo ele, ser caminhoneiro é uma profissão que lhe proporciona muita diversão. “Hoje estou aqui, amanhã não sei onde vou estar. Como caminhoneiro, conheço lugares novos a cada viagem e pessoas novas. Não há rotina na minha vida”. Prudente e cuidadoso, José Afonso nunca sofreu acidentes ou teve problemas mecânicos na estrada. A única situação de risco pela qual passou foi um assalto na cidade de Belém de São Francisco. Ele conta que estava em uma fila de caminhões que iam pegar a balsa para cruzar o Rio São Francisco até a outra margem quando foi abordado por um grupo de bandidos. “Depois fiquei sabendo que outros nove caminhões haviam sido roubados. Foi um verdadeiro arrastão. Os bandidos levaram todo o dinheiro dos caminhoneiros, mas não mexeram nas cargas”. De resto, nunca passei por nenhum stress nas viagens. Apesar do que falam, para mim, a estrada é muito mais tranqüila do que a cidade. Texto e fotos: Jorge Carvalho |