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Publicado em 21/11/2007 Começar de novo
Como diz o ditado: “filho de peixe, peixinho é” - para Neri Issler ser caminhoneiro é uma tradição de famíliaNeri Issler tem na profissão de caminhoneiro uma história de família, como ele mesmo diz: “ser caminhoneiro é mais do que uma profissão, é uma tradição de família” diz contando que há pouco mais de três anos retomou à profissão de caminhoneiro. Como isso aconteceu? Vamos à explicação; paranaense de Curitiba, nasceu e cresceu na lavoura. Seu pai era trabalhador de uma fazenda e operava máquinas agrícolas. Com o tempo, o pai passou a transportar a produção de grãos para ser vendida na cidade. Essa foi a grande influência para que Neri se tornasse caminhoneiro no futuro. “Meu pai trabalhava muito para sustentar mulher e cinco filhos. Eu o tenho como um grande exemplo de homem”. Aos 14 anos, Neri começou a dirigir tratores e colheitadeiras na mesma fazenda onde o pai trabalhava. Daí a virar caminhoneiro foi um pulo. “Assim que completei 18 anos tirei minha habilitação e fui trabalhar em uma transportadora”. A emoção da primeira viagem foi tanta que ele não esqueceu até hoje. “Saí de Curitiba com um carregamento de peças de automóveis para São Paulo. Fiquei apreensivo por estar indo a uma cidade que não conhecia. Mas, meu irmão, que já era caminhoneiro me acompanhou e tudo ficou mais fácil”. Aliás, como já foi dito, ser caminhoneiro é uma tradição na família Issler. Antes de Neri, seus três irmãos já lidavam com transporte de carga. “Todos nós tivemos nosso pai como espelho para seguir esta atividade. Somos apaixonados pela vida na estrada”.
Após seis anos, Neri decidiu investir em outro ramo e montou um restaurante. “Gostava da profissão de caminhoneiro, mas ficava longe de minha família por muito tempo. Cheguei a passar dois meses rodando o País. Resolvi parar com tudo e investir em um negócio que fosse meu”. O negócio durou 12 anos, mas não vingou. “Infelizmente, o negócio foi a falência. A alternativa que me restou foi voltar para a estrada”. Hoje é proprietário de um caminhão Mercedes-Benz 1933, ano 1988, e trabalha como autônomo. Em seu retorno à atividade, ele diz que sentiu algumas diferenças. Uma delas foi o aumento na concorrência. Segundo Neri, com tantos caminhoneiros rodando, o preço do frete caiu muito. “Na época em que comecei havia mais trabalho. Hoje, as transportadoras contratam o caminhoneiro, via agenciadores, para fazer uma entrega e paga uma mixaria”. Por falar nisso, Neri afirma que os agenciadores acabam levando uma boa parte do frete para não fazerem absolutamente nada. “A comissão de um agenciador fica entre 15% e 20% apenas para intermediar o serviço”. Pai de três meninas, ele diz que se tivesse um filho não o incentivaria a seguir a mesma profissão. “A rotina de quem vive do transporte de carga é bem dura e desgastante. Não gostaria de ver um filho meu passar por tudo que passei e vivi”. Texto e fotos: Jorge Carvalho |