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Publicado em 14/11/2007 Com a cara e a coragem
Mesmo sem conhecer nada da rotina na estrada, caminhoneiro encarou o desafio da profissãoO capixaba Francisco Barreto, nascido na cidade Guaçuí, no Espírito Santo, é caminhoneiro há 34 anos. Antes disso foi funcionário público, mas mudou de profissão por achar que poderia ganhar mais dinheiro com o transporte de carga. Curiosamente, ao contrário do que acontece com a maioria, ele não tem nenhum parente na profissão. “Tenho alguns amigos caminhoneiros, mas não fui influenciado por eles. Escolhi a profissão por minha própria conta”. Também nunca quis acompanhar algum dos amigos para conhecer como era a rotina na estrada. A decisão foi tomada com convicção. “Apesar de não saber muita coisa a respeito do trabalho tinha certeza do que queria. Entrei mesmo foi com a cara e a coragem”. No entanto, a primeira viagem não foi exatamente um “mar de rosas”. Ele viajou transportando uma carga de adubo para o sul da Bahia em companhia de um amigo caminhoneiro. Tudo parecia correr bem até que avistaram um acidente envolvendo um caminhão e um automóvel, na rodovia BR-101, na região de Vitória. “Foi bastante grave e deixou quatro vítimas fatais. Até hoje me lembro da cena”. Francisco recorda que, naquele momento, quis largar tudo e ir embora, mas o amigo, mais experiente, foi um grande conselheiro. “Ele me disse que, infelizmente, aquilo fazia parte da vida de quem trabalha na estrada e que eu deveria ser um motorista prudente para não passar por algo semelhante, entre outros conselhos”. A conversa funcionou. Francisco nunca sofreu um acidente grave. AS DIFICULDADES SÃO POUCAS
Hoje, ele dirige um Scania 102, ano 85, e não descuida da manutenção do veículo. “Não domino toda a mecânica, mas tive que aprender a me virar. Acho que tenho jeito, afinal, nunca quebrei na estrada”. Segundo ele, a escolha valeu a pena não apenas pelo lado financeiro, mas como experiência de vida. “Conheci praticamente o país inteiro dirigindo um caminhão. Aprendi muitas coisas, principalmente, a valorizar minha família”. Viúvo, e casado novamente há cinco anos, ele tem dois filhos do primeiro casamento e dois do segundo, e diz que sempre foi um pai presente. “Ao me tornar caminhoneiro aprendi a valorizar cada momento com a família. Todo o tempo que tenho livre é destinado a eles”. Sempre que pode, ele leva a família nas viagens. Na sua opinião, isso ajuda a estreitar ainda mais os laços familiares e a resolver o problema da saudade. “Infelizmente não posso trazê-los sempre. As crianças estudam e só podem me acompanhar durante as férias”. Após tantos anos de estrada ele não se arrepende de ter um dia mudado de profissão e, com base na sua experiência, considera que as dificuldades que os caminhoneiros enfrentam são poucas. Uma delas é o preço do óleo diesel, de acordo com ele, o valor do diesel varia de acordo com a região e custa entre R$1,80 e R$2. “Dependendo do valor combinado para a viagem e da distância a ser rodada, o custo com combustível consome metade do frete. Infelizmente é assim, mas não me arrependo”. |