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Publicado em 07/11/2007 Pai herói
Embora esteja aposentado, Laércio Piquera continua na ativa para ajudar a filha a pagar a universidadeOparanaense de Colombo, Laércio Piquera, durante três anos trabalhou como mecânico de automóveis em sua cidade, mas queria mesmo era ser caminhoneiro. “Fiz curso de mecânica no Senai e trabalhei como prestador de serviços em uma concessionária da Volkswagen; depois em uma outra oficina. Era um bom emprego e pagava bem, mas eu queria mesmo pegar a estrada e viajar pelo País”, afirma reforçando que é filho e irmão de caminhoneiros. Ele recorda que viajou várias vezes com o pai para realizar entregas e entre elas, a viagem mais emocionante foi a que fizeram de Curitiba à São Paulo. “Viemos buscar frutas e verduras no Mercado Municipal. A volta foi uma festa. Comi frutas até não agüentar mais, além disso, a companhia de meu pai foi muito gratificante”. Caminhoneiro durante 27anos Laércio já está aposentado, mas ainda permanece na ativa porque a aposentadoria por tempo de serviço é muito baixa. “Achei que iria receber três salários mínimos como benefício, afinal, paguei as taxas sobre cinco mínimos. Infelizmente, estou ganhando muito menos do que esperava”. Ele se refere aos R$ 656 mensais que recebe após ser exposto por quase três décadas aos riscos de acidentes em razão das condições das estradas e do trabalho em si, além dos perigos relacionados à falta de segurança como os roubos de carga.
O valor da aposentadoria também precisa ser completado porque Laércio está investindo na educação da única filha, agora com 19 anos. “Ela entrou para o curso de enfermagem e quer cursar medicina. Quero investir na educação da minha filha para que ela seja uma pessoa bem-sucedida na vida”. No entanto, ele diz que teve de tirar da cabeça da moça um início de vontade de trabalhar com transporte de carga. “Ela me acompanhou em algumas viagens e começou a se empolgar com a vida na estrada”. Zeloso e preocupado com o futuro da filha, ele passou a enumerar todos os problemas que os caminhoneiros têm ao enfrentar os trajetos nas estradas. “Não há um banheiro decente nas paradas e o desrespeito a uma jovem sozinha poderia ser uma coisa bem-incômoda, pois este é um ambiente onde a maioria é de homens”. Os argumentos parecem que funcionaram, tanto que a jovem mudou de idéia. “Não quero essa vida para ela. A rotina na estrada não é coisa para mulheres. Ainda bem que ela me escutou”. A vida de caminhoneiro não é mesmo fácil, mas as situações que em um dia são preocupantes, viram motivo de riso depois. Ele lembra de uma ocasião em que foi buscar pedras em uma pedreira em Itajubá, Minas Gerais, quando quebrou um dos eixos. “Era uma estrada estreita e meu caminhão ficou bloqueando o caminho”, diz lembrando que teve que pegar uma carona e ir buscar a peça em uma cidade vizinha. Felizmente, ele afirma que naquele dia o movimento naquela estrada foi pequeno. “Cheguei com a peça bem na hora que a fila de caminhões começou a se formar. Fiz o conserto bem rápido e liberei o caminho. Seria horrível aturar as reclamações dos colegas”. Texto e fotos: Jorge Carvalho |