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Publicado em 31/10/2007

O Barão da estrada

40 anos rodando pelo País e nenhum acidente

O mineiro de Belo Horizonte, Alvimar Gomes, mais conhecido por Barão é caminhoneiro há 40 anos. A origem do apelido veio por cultivar nas estradas, hábitos de um verdadeiro ‘bon vivant’. “Eu podia me dar a certos luxos que hoje estão apenas na lembrança. Pagar ‘rodas’ de cerveja para os colegas era apenas um deles. Naquela época o frete era muito melhor que hoje e a concorrência era bem menor. Isso fazia do caminhoneiro um profissional mais respeitado que hoje”, diz completando que o apelido ganhou logo que se tornou caminhoneiro.

Ex-militar, entrou na profissão assim que pediu dispensa do Exército. “Cheguei a ser cabo, mas não estava satisfeito. Após algum tempo, o excesso de disciplina se torna angustiante. Como caminhoneiro tenho mais liberdade e faço o que gosto”.

Com jeito mineiro, conta que, ao decidir trabalhar com transporte de carga, comprou um Mercedes-Benz, ano 62, e foi para Bahia buscar um carregamento de coco. O pensamento foi longe e mineiramente disse: “A sensação foi inexplicável”.

Na opinião do Barão, a questão da segurança é de extrema importância. Para ele, nem os equipamentos que rastream os veículos e suas cargas oferecem sensação de segurança. “Isso é uma ilusão. Ninguém vai acionar o sistema do painel se estiver com uma arma apontada para a cabeça” diz completando que apesar de nunca ter sido assaltado, sabe como é perigoso ser caminhoneiro. “Conheço casos assustadores de colegas que foram vítimas de ladrões de carga”.

Barão afirma que o fato de nunca ter passado por uma situação de perigo na estrada se deve a uma única palavra: sorte. “Além de nunca ter sido vítima de assalto, nos meus quarenta anos de estrada, até hoje não sofri nenhum acidente. Se não for sorte então eu não sei o quê é”.

Os únicos segredos que confessa ter para que suas viagens sejam tranqüilas são não dirigir além do limite de velocidade, evitar bebidas alcoólicas e nunca dirigir com sono. “Muitos colegas se sacrificam para cumprir os prazos de entrega estabelecidos. Mas esquecem do perigo que estes fatores representam. Também há muitos caminhoneiros que ingerem álcool e sentam ao volante. Isso é um perigo”.

O caminhão que dirige é um Scania 720 ano 2007, e o fato de ser um veículo novo traz tranqüilidade e segurança: “O único cuidado é fazer uma manutenção preventiva”. Contratado de uma empresa de transporte, prefere ser empregado a ser autônomo. “Meu salário é garantido todo mês. Não preciso correr atrás de frete. Além disso, tenho benefícios como convênio-médico. A maioria dos caminhoneiros não sabe o que é isso”.

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