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Publicado em 24/10/2007 Novato na estrada
Francisco veio da Bahia para comprar um caminhão usado e assim ampliar sua fonte de renda Todo caminhoneiro tem na profissão a sua maior fonte de renda, na qual tira o sustento da família. Mas, existe quem procura a atividade como forma de complementar os rendimentos. É o que pretende fazer o baiano, de Juazeiro da Bahia, Francisco Bastos de Oliveira. Dono de um boxe de frutas no Ceasa (Centrais de Abastecimento), ele vê no transporte de carga uma forma de ganhar mais, e oferecer à sua família mais conforto e melhores condições de vida. “A economia de minha Cidade depende predominantemente da fruticultura. Ter um caminhão é uma das poucas alternativas que restam para quem deseja uma renda maior”, ressalta. Sua idéia é fazer a rota Bahia-São Paulo trazendo carregamentos de frutas para o Ceasa da Capital paulista. Para realizar seu desejo, Francisco veio até a cidade de São Paulo em busca de um caminhão usado, com boas condições de uso. “Apesar de ser mais caro comprar um caminhão usado aqui, os veículos estão em melhores condições de conservação do que em meu Estado”, diz completando que pretende pagar até R$ 70 mil em um com cerca de 20 anos de uso, no máximo. “Caminhão é igual a Fusca: não depende do ano, mas do dono”. A rotina na estrada não é algo totalmente novo para ele. O baiano já esteve em São Paulo, no ano passado, acompanhando um amigo caminhoneiro. “Revezamos na direção e gostei muito. Também já estive em outras cidades com outros amigos que trabalham com transporte de carga”.
Uma outra forma de justificar a escolha é o fato de já ter ouvido muitos amigos caminhoneiros dizerem que querem largar a profissão porque não suportam mais a vida na estrada, mas nunca cumprem o que prometem. “Apesar deles reclamarem do valor do frete, da falta de segurança, das más condições das estradas e dos pedágios caros, eles continuam na ativa. A conclusão que tiro é que não deve ser tão ruim ser caminhoneiro”. É bom reforçar que Francisco não pretende deixar seu boxe de frutas. “Batalhei muito para ter meu negócio e não vou abrir mão dele. Quando tiver que pegar a estrada, deixo algum parente tomando conta para mim”. Ele confessa que desde criança acalenta o sonho de ser caminhoneiro. Seu pai, falecido há oito anos, tinha uma plantação de laranjas e na fazenda havia um caminhão para transportar a produção. Mas, o pai não deixava Francisco chegar nem perto do veículo. “Ele achava perigoso demais. Só entrei no caminhão após meu pai ter falecido”. Uma das prováveis escolhas de Francisco é o Mercedes-Benz 1313, ano 1985, do paulistano Agnaldo Rodrigues. Ele quer deixar o transporte de carga por motivos de saúde. “Sinto fortes dores na coluna e não posso ficar sentado por um tempo muito longo”. O único problema é que ele nunca fez outra coisa na vida e não se imagina aposentado. “Não sei se vou me acostumar com a idéia. Mas, se sentir muita falta acabarei voltando para a estrada”. |