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Futuro empresário

A estrada é sua realidade, mas o sonho é ter o seu próprio negócio

A habilidade e o conhecimento das estradas são o porto seguro de Márcio Pereira, mas seu desejo mesmo é ser empresário. A sua história não é muito diferente dos seus colegas de estrada. Há dez anos trabalha com transporte de carga e conta que seu pai foi caminhoneiro e que talvez não tenha sido uma mera coincidência ter a mesma profissão de seu pai. “Meu pai foi caminhoneiro, mas só fiquei sabendo disso há pouco tempo porque ele se separou de minha mãe quando eu era muito pequeno. Acho que é algo que já vem no sangue”

Paulistano de nascimento, mora hoje em Colombo, na Grande Curitiba, mas conta que em São Paulo, trabalhou por vários anos como motorista de ônibus de viagens municipais e interestaduais até que decidiu trabalhar com transporte de carga. Pouco tempo depois veio a mudança de cidade. “Minha esposa nasceu em Colombo e sugeriu que nos mudássemos para lá, onde poderíamos ter uma vida menos corrida”.Quando chegou ao Paraná já tinha seu próprio caminhão, um Mercedes-Benz 1113 e logo começou a rodar o País como caminhoneiro autônomo.

Por sete anos cruzou as rodovias até que decidiu mudar de atividade. Montou uma loja de carros e tornou-se empresário. Mas, não ficou muito tempo no ramo de veículos de passeio. Os negócios começaram a ir mal e Márcio voltou a fazer o que sabia melhor: ser caminhoneiro. “É muito difícil ter uma empresa no Brasil. E, apesar das dificuldades de ser caminhoneiro eu já estava com saudades da estrada”.Há oito meses voltou à atividade e para isso, optou por comprar um Ford Cargo 2218, ano 88. Apesar de gostar do que faz, Márcio sabe que os antigos problemas continuam os mesmos. Entre os obstáculos da profissão ele relaciona: a falta de boas condições das estradas que expõe os motoristas aos riscos de acidentes; assaltos, preço dos pedágios entre outros.

Para poder passar mais tempo com a mulher e a filha de 12 anos, ele optou por não viajar nos finais de semana. “Já cheguei a ficar mais de um mês longe de casa e isso não é nada bom. Agora, só viajo nos dias úteis. Os finais de semana são sempre para ficar com a família”.

Inquieto e inconformado com os baixos valores dos fretes, ele já pensa em mudar de novo de área, mas ainda não decidiu qual caminho seguir. “No próximo ano devo investir em outro negócio, mas preciso avaliar melhor as possibilidades para não errar de novo”.

Durante tanto tempo viajando com o transporte de cargas conta que já passou por muitas situações curiosas e engraçadas. Márcio recorda de um momento que para ele foi muito engraçado. “Estava viajando quando o radiador do caminhão esquentou e eu tive que parar. Desci e olhei em volta e logo percebi que estava sobre uma ponte e um rio passava embaixo. Decidi ir até lá com uma garrafa para pegar um pouco de água. Quando entrei embaixo da ponte, tomei um baita susto. Uma revoada de morcegos veio na minha direção. Saí correndo”. Rindo, Márcio conta que durante mais de uma hora ficou pensando se deveria voltar para buscar a água, mas sabia que não tinha escolha. Criou coragem e entrou embaixo da ponte outra vez. “Felizmente já não havia mais morcegos. Acho que eles se assustaram mais comigo do que eu com eles. Mas são muitas as histórias, é que essa dos morcegos foi realmente engraçada”.

Texto e fotos: Jorge Carvalho

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