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Publicado em 10/10/2007

Caminhoneiro da cidade

Para ficar mais tempo com a família e pelas condições das estradas, José Edson optou por fretes na cidade

A dura rotina da vida na estrada pode motivar o caminhoneiro a fazer uma mudança radical. Foi assim com José Edson Ferreira, de São Bernardo do Campo, no ABC Paulista, que vem de uma família de caminhoneiros. Seu pai e irmão caçula trabalham com transporte de cargas e ele, por um tempo, também se aventou nessa carreira. “Sempre gostei de caminhões, tanto que aprendi a dirigir no veículo do meu pai”. Logo cedo, Edson comprou seu primeiro caminhão.

Por três anos, trabalhou com transporte de cargas em rodovias, mas optou pelas entregas dentro da Grande São Paulo. “Gosto de rodar na estrada, mas para quem tem família para sustentar acaba tendo problemas com os valores dos fretes tão baixos”. Para ele, outro problema é a solidão na estrada que o fez optar pelo transporte urbano. “Cheguei a ficar um mês rodando pelo País atrás de carga; além disso, sentia muita falta de minha mulher e meu filho, e isso também pesou para que eu fizesse a troca. Só continuaria com aquela rotina se não tivesse outra opção. Felizmente pude escolher e acertei”.

Os motivos para deixar a estrada foram muitos; entre eles, o risco de acidentes em razão das condições das estradas e a falta de segurança. “Há estradas no País que são verdadeiras armadilhas para o caminhoneiro. Os problemas dos roubos de cargas também são muito preocupantes. Não queria me expor a estes riscos”.

Mesmo assim, ele ainda pega seu caminhão e faz uma viagem ou outra para matar a saudade da estrada. “De vez em quando é bom sair da rotina. Gosto de ir principalmente para o Nordeste; quando acontece, meu irmão me substitui e faz as entregas no meu lugar”. Hoje, ele tem um Mercedes-Benz 608, 1984 e diz que o fato de não pegar estradas desgasta bem menos o veículo o que torna a manutenção mais barata.

No que depender de Edson e de seu filho de 12 anos, a tradição da família no transporte de carga está ameaçada, pois o garoto, apesar de já ter acompanhado o pai em algumas das suas viagens, nem cogita a possibilidade de ser caminhoneiro. “Acho até melhor porque quero um outro futuro para ele. Trabalho para que meu filho tenha oportunidades que eu não tive. Não estou menosprezando a profissão, mas sei o que passamos na estrada”.

José Edson já viveu situações das mais diversas em mais de uma década como caminhoneiro. Uma delas ocorreu quando viajou para fazer uma entrega acompanhado de um tio. Ele recorda que a validade de sua habilitação estava vencida e precisou passar por uma blitz na rodovia. Pediu então para que seu parente conduzisse o veículo até passar pelo bloqueio policial. Foi nesse momento que um guarda deu sinal para que estacionassem o veículo no acostamento. “Ficamos apavorados e não sabíamos o que fazer. Já imaginava o pior”.

Rindo, o rapaz recorda que o tio desceu do veículo para falar com o policial enquanto ficou na cabine quase em pânico. “Fiquei paralisado olhando os dois conversando e morrendo de medo. Quando prestei mais atenção, os dois estavam rindo e meu tio deu até um abraço no guarda antes de irmos embora. Se não fosse esse jeitão bonachão dele, poderia ter o veículo e a carga apreendidos”.

Texto e fotos: Jorge Carvalho

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