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De olho no futuro

Na estrada há 20 anos, Gildo Pacheco sente falta de um Sindicato Nacional e de melhorias nas estradas e nas paradas

É comum, em um determinado momento da vida, um profissional questionar sua profissão, reavaliar os prós e os contras e a partir daí fazer novos planos para a mesma carreira ou não.

E é nesse momento pessoal que se encontra o caminhoneiro Gildo Pacheco. Há 20 anos na estrada, esse catarinense de Passo de Torres, conta que antes de tornar-se caminhoneiro, foi cozinheiro, cobrador de ônibus e motorista de ônibus intermunicipal. Ele conta que optou por trocar de profissão porque considerou a possibilidade de ganhar mais com o transporte de carga do que com o transporte de passageiros.

Segundo ele, naquela época o valor do frete era bem melhor do que hoje e os custos com as viagens (pedágio, combustível, alimentação etc) também eram bem menores do que atualmente. “Naquela época, cerca de 65% do valor do frete era lucro. Hoje, isso se inverteu. Trabalho bem mais para ter em torno de 35% de lucro”.

Gildo explica que o que mais pesa nas despesas de um caminhoneiro é o valor do óleo diesel. “O preço do combustível varia de uma região para outra e custa em média R$ 1,75. No entanto, em alguns Estados chega a custar mais de R$ 2”. Este, e fatores como falta de segurança, risco de acidentes em razão das péssimas condições das estradas e até o calote dado por algumas transportadoras são pontos fortes que pesam em seus questionamentos atuais e estão fazendo o rapaz considerar a possibilidade de mudar novamente de profissão.

“Já recebi muitos cheques sem fundos. Agora, estou pensando em montar um restaurante em minha cidade. Já tenho experiência nesse ramo e acho que seria bom arriscar em algo novo. Mas ainda preciso quitar o financiamento do caminhão. Ainda faltam oito parcelas, talvez em um ano eu deixe a estrada de vez”. O caminhão ao qual se refere é um 1418 Mercedes-Benz, ano 2000, um veículo relativamente novo.

Inconformado com a sua situação e a dos colegas, Gildo afirma que se existisse um Sindicato Nacional de Caminhoneiros para lutar por melhores condições para a categoria, essa situação seria bem diferente. “Existe associações em alguns Estados, mas que lutam isoladamente por melhorias para a profissão. Se existisse uma Entidade Nacional, seguramente a classe seria mais unida e forte”.

Bem informado, ele recorda de uma reportagem que viu na TV na qual dizia que 70% dos caminhoneiros do Brasil são autônomos e que a maior parte do que se transporta no País - da produção agrícola a automóveis -, segue pelas estradas. “O País precisa do caminhoneiro para crescer. Seria justo dar mais valor ao este profissional”.

Diferente dos colegas que ficam dias, semanas e até meses longe da família, Gildo tem sempre a esposa por perto, não importa aonde vá. Casados há 4 anos, ele e a esposa Carina são um verdadeiro exemplo de união em qualquer situação. Mas ela afirma que vida de mulher de caminhoneiro não é fácil. “A falta de estrutura nas paradas é muito grande. Falta, por exemplo, banheiros em boas condições de higiene. Além disso, têm algumas empresas que não permitem a entrada de mulheres nos pátios”. Mas ela não se arrepende e faz questão de viajar com o marido. “Existem ocasiões que não posso ir com ele. Mas faço questão de estar presente sempre que posso”.

Texto e fotos: Jorge Carvalho

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