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Da sucata para as estradas

Inspirado na vida do pai, caminhoneiro opta pela profissão, mas se diz arrependido

A história de Fabiano Neves da Costa é semelhante à de seus colegas de estrada, afinal vem de família de caminhoneiro, corre perigos, enfrenta dificuldades, briga por frete, e por aí vai. Porém, tem um diferencial a mais, sua história é bem parecida com enredo de novela com direito a aventuras, paixão, casamento e tudo mais. Curitibano, ele conta que o pai é caminhoneiro aposentado e foi seu herói; uma referência de amigo, pai, marido e profissional.

Ele relembra que aos 14 anos, fez sua primeira viagem acompanhando o pai. “Fomos para Paracatu, Minas Gerais, e ele me deixou dirigir o seu caminhão por mais de 500 quilômetros. Nunca havia conduzido o caminhão por uma distância tão longa. Lembro da minha sensação de liberdade, de cumplicidade que tivemos naquela viagem. Guardo até hoje o sentimento maravilhoso que senti”.

Contrariando as expectativas da família, Fabiano optou por trabalhar com sucata. “Comprava objetos de metal e revendia em ferro velho, dava um bom dinheiro e ainda tinha a moça bonita que trabalhava com o pai no ferro velho...”, diz sorrindo lembrando que tinha que conquistar primeiro o pai da moça para só depois conseguir conversar com ela. “Foi amor à primeira vista, mas o pai da moça era bravo mesmo”.

Com seu jeito simples, alegre e de menino batalhador, logo conquistou o futuro sogro. Fabiano casou com Cláudia, a moça do ferro velho e para lhe dar melhores condições de vida tornou-se caminhoneiro. “Lembrei do meu pai e achei que seria mais vantagem financeiramente ser caminhoneiro, comprei meu Scania modelo 111S, ano 77, arrisquei, né?”

Cláudia se anima e conta que logo após o casamento ele anunciou que iria comprar um caminhão e trabalhar com o transporte de carga pelo Brasil. “Na hora não gostei nem um pouco da idéia, pensei que ele iria viajar sozinho e, é claro, fiquei brava. Quando Fabiano me disse que eu iria junto, mudei de opinião. Fiquei feliz de poder acompanhá-lo”. Eles recordam que as primeiras viagens foram bem difíceis. Fabiano não conhecia muito bem a rotina da profissão e os colegas avisavam exageradamente dos perigos de se trabalhar como caminhoneiro. “Nossa primeira viagem foi para Salvador. Falaram tanto que era perigoso que, com medo, nem saíamos do caminhão”. Eles lembram que foi assim nas primeiras viagens até se acostumarem com a nova realidade. “A primeira viagem que conseguimos aproveitar foi ao litoral do Rio Grande do Sul, fomos inclusive à praia. O perigo existe, mas não podemos nos tornar reféns dele”, afirma Fabiano.

Casados há três anos, o casal faz planos em conhecer novos lugares, porém afirma que a troca de profissão não foi vantajosa para eles: “Ganhava mais com a sucata, ser caminhoneiro não foi o que eu imaginava. Os tempos são outros. O que tem de bom é que viajamos juntos e conhecemos novos lugares, mas quando penso no dinheiro, quero mesmo voltar para a sucata”.

Fabiano conta que o problema mais comum no seu dia-a-dia de caminhoneiro está relacionado aos pneus furados. “Além dos buracos, falta sinalização e, principalmente, segurança”. Ele diz que um pneu furado na estrada não é difícil de trocar. Mas se estourar, aí a coisa complica. Principalmente se for em um local onde não exista borracharia por perto. E nesse Brasil de meu de Deus, com dimensões tão grandes, a emergência acontece nas horas mais inesperadas. “Se o pneu que estourar for da traseira não tem muito problema. Se for da frente, é só tirar um da parte de trás e rodar até achar um borracheiro”.

por Jorge Carvalho

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