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Filho de peixe...

Seguindo os passos do pai, caminhoneiro garante que dará todo o apoio se um dos filhos seguir a mesma profissão

Marcos Dobke Robaína, gaúcho de Pelotas, é caminhoneiro há 11 anos e nunca pensou em ter outra profissão. Seu pai trabalhou com transporte de carga e foi sua grande influência. Dos quatro irmãos, ele foi o único a seguir a carreira. “Tenho um irmão funcionário público e o outro pretende ser policial militar. O caçula, de 17 anos, já manifestou o interesse de se tornar caminhoneiro, mas ele ainda é muito novo e pode ser que mude de idéia”.

A primeira viagem que fez foi com o seu pai, quando ainda era um garoto de 13 anos. “Viemos fazer uma entrega aqui mesmo em São Paulo. Naquele momento eu tive a certeza de que queria ser caminhoneiro”. De acordo com ele, seguir a profissão foi inevitável. Para Marcos, a estrada é um vício. “Quando fico algum tempo sem viajar é como ficar sem algo muito importante”. O gaúcho recorda que seu pai chegava a ficar dois meses longe de casa cumprindo com as obrigações do trabalho. “Mas quando estava em casa era uma festa e eu não desgrudava dele”.

Casado três vezes e pai de três filhos, ele diz que caso um deles queira ser caminhoneiro ele irá apoiar no que for necessário. “A profissão é dura e limita o convívio familiar. Mas, é um trabalho digno e proporciona independência e novos desafios”.

Um dos maiores desafios ele diz que aprendeu mesmo na ‘marra’: lidar com panelas, fogão e ingredientes. Segundo conta, nem sempre é possível encontrar um bom restaurante na estrada e, muitas vezes, nem existe um restaurante por perto. Sendo assim, o jeito é aprender mesmo. “Se tiver que comer todos os dias em restaurantes fica muito caro. Além disso, nunca sabemos em quais condições a comida é preparada. Se eu mesmo cozinhar sai mais em conta. Como o que quero e sei que não vou passar mal depois”, diz rindo.

Marcos dirige um Scania 112, 1985, que mesmo já tendo mais de 20 anos de rodagem nunca o deixou na mão. “Além de não dar problema, esse caminhão tem manutenção fácil e barata”. Mas, ele declara que se pudesse trocar de caminhão seria por um NH da Volvo. “Um caminhão forte e muito mais fácil de dirigir”.

Todo caminhoneiro passa por situações curiosas e tem histórias divertidas para contar. Marcos recorda uma destas situações que aconteceu em Paranaguá, no Paraná. Ele estava acompanhado de um amigo caminhoneiro e diz que chovia muito e tinham algumas notas para retirar e cargas para transportar. A chuva não parava e eles precisavam ser rápidos, afinal, tempo é dinheiro. Ele relembra que os caminhões estavam a cerca de 200 metros de distância de onde eles se abrigavam. Resolveram então correr até os veículos. De repente, o inesperado: “meu amigo tropeçou em um buraco e afundou na lama. Levantou possesso e gritando para eu não rir. Tivemos que levar as notas molhadas e enlameadas. Foi muito engraçado.

Nesta última viagem, ele estava acompanhado do irmão Vinícios que pretende entrar para a PM e nunca cogitou a possibilidade de ser caminhoneiro. “Para fazer um trabalho bem feito tem que ter vocação e não é o meu caso quando o assunto é caminhão”, diz o irmão. Mas, Marcos sorri e brinca que em uma dessas viagens a vontade de ser caminhoneiro pode despertar no irmão.

por Jorge Carvalho

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