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Tradição de família Ao viajar pela primeira vez, aos 11 anos, na boléia de um caminhão Ezequiel Almeida Santana decidiu que seria caminhoneiro
O sonho de ser caminhoneiro, que muitos acalentam desde bem pequenos, leva a escolhas corajosas. É comum ouvir relatos de quem trocou uma profissão estável e bem remunerada pelas estradas. Seja pelo desejo de trocar a rotina da vida comum, pela vontade de se aventurar em algo novo, ter uma sensação de liberdade, desejo de conhecer novos lugares e pessoas ou por seguir a mesma profissão de alguém da família. Ser caminhoneiro representa uma grande mudança na vida. Foi assim com Ezequiel Almeida Santana; mineiro de Betim, região central de Minas Gerais; que trabalha há apenas três anos como caminhoneiro. Antes disso foi gráfico e diz que decidiu trocar de profissão para seguir os passos do pai, dos irmãos e também dos tios. Caçula de quatro irmãos, afirma que não havia outro caminho. “É quase que uma tradição de família. Sempre quis lidar com o transporte de carga; trabalhei como gráfico, mas não estava satisfeito e olha que até ganhava bem, mas não consegui segurar a vontade de dirigir um caminhão pelo País”. Ele lembra da primeira viagem que fez, aos 11 anos, quando foi com o tio para Fortaleza fazer uma entrega. Foi o primeiro contato de Ezequiel com sua futura atividade. “Naquele momento percebi que queria ser caminhoneiro. Fiquei na mente com a imagem dos carros, das casas e de tudo que se via passando por nós. Minha decisão foi tomada ali”.
Seu instrumento de trabalho é um Mercedes-Benz 1935, ano 1998, onde transporta tudo que lhe é encomendado. “Geralmente transporto estruturas metálicas e minérios, mas não costumo escolher a carga. É bobagem fazer isso”. Satisfeito com seu trabalho, Ezequiel se prepara para realizar mais um sonho: o de ser pai pela primeira vez. “Minha esposa está grávida de oito meses e espera um casal de gêmeos. Já escolhemos os nomes: Natanael e Gabriely”, diz orgulhoso. Com a esposa prestes a dar à luz, ele se preocupa em estar perto quando as crianças decidirem nascer. “Costumo ficar cerca de dez dias na estrada, infelizmente não posso dispensar o trabalho. Mas fico com medo de quando o momento chegar eu não esteja em casa”. Se depender de Ezequiel, a tradição dos caminhoneiros da família não irá adiante. Ele afirma que não quer que o filho siga sua profissão e diz que fará tudo para fazê-lo mudar de idéia caso mostre algum interesse quando crescer. “A vida na estrada é dura e perigosa. A gente tem liberdade, mas quero que meus filhos estudem e tenham outras atividades menos pesadas e sem riscos”. Texto e fotos: Jorge Carvalho |