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Determinado a seguir em frente

Os perigos da estrada não intimidam caminhoneiro que já foi vítima de assalto

A maioria dos caminhoneiros seguiu a profissão por influência de alguém da família, geralmente do pai. Com Antônio da Silva Marques foi exatamente assim. Porém, seus três irmãos preferiram seguir outras carreiras. Antônio vive em Londrina, no Paraná, e já teve vários empregos antes de se tornar caminhoneiro. O último, antes de trabalhar com transporte de carga, foi como representante de marca de cerveja. Mas afirma que nunca esteve plenamente realizado em nenhuma das atividades que exerceu.

Segundo declara, a profissão dos seus sonhos sempre foi a de caminhoneiro. “Meu pai foi caminhoneiro e o acompanhei em algumas viagens quando era bem pequeno. Infelizmente, ele faleceu quando tinha apenas seis anos”. Foram poucas as oportunidades que ele teve de seguir com o pai nos compromissos, mas o suficiente para determinar o seu futuro.

Antônio não se recorda da primeira vez que viajou com o seu pai para entregar carga. Mas teve uma ocasião que não sai da sua cabeça. Foi dentro do Estado do Paraná mesmo. Era década de 60, uma época em que a região de Londrina era grande produtora de café. Apesar da economia desenvolvida, a maioria das estradas do Estado não tinha pavimentação e quando chovia era impossível não atolar no lamaçal que se formava. Antônio acompanhou o pai na entrega de um carregamento de grãos de café. “Estava com cinco anos, mas lembro como se fosse ontem. Havia chovido muito naqueles dias e o caminhão acabou atolando. Ficamos uma semana presos no local. Sorte que a chuva parou e quando a lama secou um pouco meu pai, a duras penas, conseguiu desatolar”.

Antes de comprar seu caminhão, Antônio trabalhou como empregado por oito anos em uma transportadora e depois foi ser representante. “Guardei todo o dinheiro que pude, mesmo tendo família para sustentar. Sabia que tinha que segurar os gastos, pois era o único jeito para economizar e fui juntando dinheiro. Assim, quando saí do emprego pude comprar meu primeiro caminhão”, diz com orgulho. Hoje, ele tem um Mercedes-Benz 1113, ano 79. Mas, se pudesse trocar por um novo seria por um Constellation, da Volkswagen. “Além de lindo, o Constellation é um caminhão forte e ótimo para o transporte de qualquer carga”.

Para justificar a afirmação, ele explica que costuma transportar cargas de até 5 toneladas como colchões e móveis em seu veículo. “Andar com excesso de peso no baú deixa o caminhão lento e atrasa a viagem entre outros problemas”.

Que a vida na estrada reserva perigos para quem transporta cargas todos sabem. Risco de acidentes e ser vítima de ladrões de carga são uma rotina na vida dos caminhoneiros. Mas isso não faz com que eles desistam ou queiram trocar de atividade. Antônio é um bom exemplo dessa determinação. Vítima de assalto em duas ocasiões, ele já cogitou mudar de profissão, mas não conseguiu. “Nas duas situações, os ladrões levaram apenas as cargas que eu transportava. Da última vez, fiquei refém em um canavial sob a mira de uma arma enquanto o baú era esvaziado. Naquele momento, quis jogar tudo para o alto, mas não tem jeito, é uma profissão como outra qualquer em que pode ocorrer incidentes e esse tipo de coisa acontece com os caminhoneiros. Pensei melhor e estou aqui, na minha vida de caminhoneiro, que sempre quis”.

Texto e fotos: Jorge Carvalho

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