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Todo sonho é possível

Jovem catarinense deixou emprego seguro para seguir a profissão do avô

Fabrício Rodrigues de Oliveira, 27 anos, é catarinense de Lajes e há uma ano decidiu se tornar caminhoneiro. Antes disso, trabalhou no departamento de Recursos Humanos de uma empresa multinacional de sua cidade. Ele trocou uma profissão estável e o curso na universidade na área de Processamento de Dados para seguir os passos do avô materno. “Meu avô foi caminhoneiro por 45 anos e me espelhei nele. Realizei um sonho de criança”.

O jovem recorda que desde muito pequeno acompanhava o avô nas entregas de carga e que não esquece a primeira viagem que fez com o avô. “Estava com cinco anos e fui para Uruguaiana, no Rio Grande do Sul. Depois disso passei a acompanhá-lo com freqüência e olhava meu avô dirigindo, via nele, uma alegria, via liberdade, sempre conhecendo lugares novos e pessoas diferentes, achava mesmo fascinante”. O rapaz relembra que quando começou a estudar, as viagens passaram a ser um estímulo para ir bem na escola. “A condição para eu poder viajar era tirar boas notas e passar de ano.

Passamos vários Natais e fins de ano na estrada. Eu adorava porque era muito apegado a ele e podíamos passar mais tempo juntos. Mais do que meu avô, ele era meu amigo, meu ídolo”. Há dez anos seu avô faleceu, mas todas as lembranças permanecem vivas na memória de Fabrício.

Nem os riscos e dificuldades da profissão como a grande concorrência, dificuldade de conseguir uma carga para transportar, os baixos preços dos fretes, as péssimas condições das estradas e as possibilidades de assalto desestimulam Fabrício. “ Com fé em Deus e vontade de trabalhar superamos qualquer medo ou dificuldade”. Embora tenha o avô como grande ídolo e quem o inspirou na profissão, o avô não é o único exemplo de caminhoneiro da família. “Meu outro avô, por parte de pai, também foi caminhoneiro, mas não cheguei a conhecê-lo; tenho um irmão que também trabalha com transporte de carga e meu pai também tem um caminhão, mas só faz trabalhos dentro da cidade. Quer dizer... acho que está mesmo no sangue”.

O caminhão de Fabrício é um Volkswagen 2312, ano 2004, que ainda não foi quitado, mas falta pouco para finalizar o financiamento. “Para comprar esse caminhão, vendi meu carro e trabalhei muito para juntar o dinheiro. Estou feliz, fui atrás do meu sonho de criança. Hoje sou eu que dirijo o caminhão. Às vezes pego a estrada e me lembro das histórias do meu avô, das nossas paradas para o almoço ou o jantar. Dá uma saudade imensa mas, ao mesmo tempo, um certo orgulho de ter acreditado no meu sonho e o ter realizado”. Ele se emociona ao falar do avô e ao lembrar de como sempre foi sofrida a vida de caminhoneiro. “Ele trabalhou mais de 40 anos e não conseguiu ter o próprio caminhão. Quitar esse caminhão é realizar um sonho meu e dele também.”

Fabrício apesar de ser pouco experiente, sabe das dificuldades e riscos da profissão. “Já fui vítima de assalto, e escapei por sorte de uma tentativa. Mas, não quero pensar nisso; todo cidadão está exposto a perigos em qualquer lugar.”

Texto e fotos: Jorge Carvalho

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