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Destino é ser caminhoneiro

Com a vantagem de ter uma co-piloto, Claudionor Faveri viaja pelas estradas do País

Muitos de nós já desejou voltar ao passado para ter a chance de mudar algo que influenciou em nosso presente. Com Claudionor Antônio de Faveri não é diferente. Nascido em Araranguá, no litoral Sul de Santa Catarina, trabalha há 24 anos como caminhoneiro. Seu primeiro emprego, ainda adolescente, foi como técnico de manutenção de máquinas de costura industriais. “Aos 17 anos fiz um curso de técnico e fui trabalhar em uma fábrica de máquinas industriais em minha cidade, estava animado, porém quando se é jovem e sem muitos recursos, não temos muitas perspectivas”, diz contando que a carreira parecia promissora até que a empresa impôs uma condição para mantê-lo empregado.

Claudionor deveria fazer um curso de especialização na Alemanha, sede da empresa. O detalhe é que todas as despesas com o curso e a viagem, como acomodações e alimentação deveriam ser pagos por ele. “Se fizesse aquele curso poderia montar minha própria oficina de assistência técnica. Eu não tinha condições de arcar com os custos e desisti da profissão”. Ele decidiu então ser caminhoneiro, afinal era necessário sobreviver. Na época, Claudionor tinha alguns amigos que trabalhavam com transporte de carga que o incentivaram a entrar no negócio. “Nunca pensei em ser caminhoneiro, mas descobri que a necessidade nos obriga a tomar decisões inesperadas”.

Após mais de duas décadas cruzando as estradas do Brasil, ele afirma que costuma refletir sobre como seria sua vida se tivesse feito a especialização na época. “Infelizmente o tempo não volta atrás. Mas mesmo que pudesse retornar seria difícil mudar o destino de alguém com poucos recursos financeiros em uma cidade com poucas opções de trabalho”.

Hoje, ele dirige um Scania 112, ano 85, e diz que apesar de ser um caminhão com mais de vinte anos de uso, tem manutenção barata. “Eu mesmo resolvo qualquer problema mecânico, desde que não seja muito grave”. O caminhoneiro diz que seu sonho de consumo é um veículo da mesma marca, porém, mais novo. “Não tenho um modelo em mente, mas estou acostumado com o Scania e acho um caminhão ideal para o transporte de qualquer tipo de carga”.

Em suas viagens está sempre em companhia da esposa Eradi e diz que para ele, a sua presença é fundamental para manter a motivação e diminuir a solidão da estrada. “Quando nos conhecemos eu já trabalhava como caminhoneiro. Gostei muito quando ela aceitou me acompanhar”.

Infelizmente, nem tudo são flores na rotina do casal. As paradas em postos e terminais de carga não apresentam muito conforto e estrutura para quem viaja com a família. “Não existe banheiros na área onde os caminhões ficam estacionados, e muitas vezes, fica difícil até tomar banho”.

Mas, para a tímida Eradi, o amor compensa tudo. “Não ficaria tranqüila em casa com ele longe. Gosto de estar perto e ajudar da forma que posso, nem que seja apenas com a minha companhia”.

Claudionor diz que a presença da esposa é muito mais importante do que ela pensa. “Ela corrige qualquer desatenção minha. É minha co-piloto”.

Texto: Jorge Carvalho

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