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Dos escritórios para as estradas Assim, como na música de Belchior, em que o trecho diz: “Nós somos e vivemos como nossos pais”, Alexandre Partinelli se identifica com a profissão de caminhoneiro
Por 10 anos, Alexandre Partinelli trabalhou na empresa aérea Transbrasil. Começou como office-boy aos 14 anos, no início da década de 1990, e passou por diversos setores. Em 2001, quando a Transbrasil deixou de voar por ter sua falência decretada pela Justiça em razão de dívidas não pagas, ele, já como caixa-administrativo, se viu desempregado. Alexandre ficou dois anos tentando voltar ao mercado de trabalho antes de decidir trabalhar como caminhoneiro. Durante o tempo em que ficou parado procurou emprego sem sucesso em outras companhias aéreas, agências de turismo, empresas de diversos setores, mas os salários oferecidos eram muito baixos. “Me deparei com uma realidade que desconhecia. Trabalhar muito tempo em um mesmo lugar traz a falsa sensação de segurança e passamos a pensar que o desemprego pode atingir a todos, menos a nós mesmos”, afirma. O tempo foi passando e nada de conseguir outra colocação. “Chegou um momento que eu não podia mais ficar parado e optei por trabalhar com transporte de carga”.
O pai, que já trabalha como caminhoneiro, foi seu grande incentivador. Mas, Alexandre ainda relutava. “Meu pai passava muito tempo longe de casa e eu não queria essa vida para mim. Era preciso acordar muito cedo e achava a vida dele muito cansativa. Estava acostumado com outro tipo de rotina”. Mas não teve jeito. A necessidade acabou obrigando-o a entrar neste ramo. “Para você ver como são as coisas. Eu nem gostava de acompanhar meu pai nas entregas. Devo ter feito isso, no máximo, duas vezes”. Ele conta que o pai transportava frangos vivos e que, na época, observava tudo e pensava que não era a profissão que queria ter. “Os frangos faziam muita sujeira e o mal cheiro era insuportável”. Mas, a vida dá essas voltas e Alexandre passou a trabalhar com o pai, porém continuou a enviar currículos na esperança de voltar a trabalhar na área que gostava e conhecia muito bem. “Não conseguia me adaptar ao trabalho. Mas com o tempo fui passando a gostar da minha nova atividade. Hoje, nem penso em voltar e ficar preso em um escritório”. Há quatro anos ele dirige um Ford 12.000, ano 1995, e transporta frutas, verduras e legumes do Ceagesp para supermercados de todo o Estado de São Paulo. De acordo com ele, por realizar viagens curtas o caminhão não apresenta problemas mecânicos relevantes. “Além do mais, a manutenção do Ford é muito barata”. Suas viagens duram, no máximo, dois dias, o que lhe permite passar mais tempo ao lado da esposa e da filha de 7 anos. “É engraçado, hoje prefiro ser caminhoneiro e ganho muito mais do que na empresa aérea. Gosto mesmo do que faço”. Texto: Jorge Carvalho |