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Do trator para o caminhão
Ele começou dirigindo máquinas agrícolas e descobriu a profissão de caminhoneiro por acaso Esmeraldo de Souza nunca imaginou que um dia ganharia a vida com o transporte de cargas. Mato-grossense, da pequena Tangará da Serra, sempre trabalhou em fazendas de sua cidade, dirigindo tratores e colheitadeiras. Assim que atingiu a idade necessária para tirar a habilitação passou a transportar a produção da fazenda para as indústrias da região. “Comecei a trabalhar com caminhão e tomei gosto pela coisa”. Naquela época ele transportava para a fazenda grãos como soja e milho e ainda se lembra muito bem da primeira viagem que fez para fora do estado. “Fui para Rio Preto levar um carregamento de ração para o gado. Foi uma experiência inesquecível por ser a primeira fora do Mato Grosso”. Passou a acumular as funções de dirigir máquinas agrícolas e fazer entregas quando necessário. Tudo ia bem até que os proprietários decidiram vender a fazenda. “Uma vez sem emprego, não pensei duas vezes. Fui ser caminhoneiro e não quero outra vida”. Entre os motivos que relaciona para justificar que valeu a pena trocar as plantações pelas estradas estão a pouca oferta de empregos no setor agropecuário. “As máquinas hoje, são muito mais modernas, elas fazem o trabalho muito mais rápido e não é necessário ‘um batalhão’ para operá-las. Além disso, os salários diminuíram muito. Minha decisão de mudar foi acertada”.
Porém, Esmeraldo afirma que não é assim, tudo um mar azul... há também o lado do mar revolto. Durante as viagens, ele chega a ficar até duas semanas longe da esposa e dos filhos ainda pequenos. “Antes, podíamos passar mais tempo juntos. Agora, não ficamos mais que três dias juntos. Mas eles entendem que isso faz parte do meu trabalho”. Para compensar a ausência, afirma que liga todos os dias para casa. “Se eu não ligar, minha esposa fica preocupada e as crianças não dormem”. Mas as viagens de Esmeraldo não são sempre solitárias. Durante as férias escolares ele costuma levar a mulher e as crianças a bordo do Mercedes-Benz, modelo 1620, ano 2003, e isso torna o trabalho muito mais agradável. “Meu filho já fala até que quer ser caminhoneiro quando for adulto”. Segundo ele, entre os caminhoneiros, a maior preocupação durante as viagens é a questão da segurança. Esmeraldo informa que além do roubo de carga, tem ocorrido muitos roubos de step e de combustível dos caminhões. O caminheiro diz que o step precisar ser preso com corrente e cadeado, mas quanto ao roubo de combustível não há muito o que fazer. “Certa vez parei em um posto para dormir. No dia seguinte, rodei dez quilômetros e fiquei sem óleo diesel. Percebi que tinham secado o tanque que estava cheio na noite anterior”. Em várias situações o caminhoneiro precisa contar com a sorte e com a ajuda divina. Ele recorda um fato ocorrido com um colega de profissão que viajava acompanhado da esposa. Eles foram abordados na estrada por bandidos que levaram o veículo carregado de carne. Amarraram os dois em um canavial e ali ficaram por três dias. “Por sorte eles foram encontrados antes que fosse ateado fogo à plantação, prática comum antes do corte da cana”, diz lembrando que na vida de caminhoneiro tem liberdade, alegrias e tristezas. Texto: Jorge Carvalho |