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De taxista a caminhoneiro Paranaense se diz feliz com a profissão, mas lamenta a forte concorrência
Vilson Wichineski, é de Curitiba, no Paraná e trabalha como caminhoneiro há 20 anos. Antes de rodar pelas estradas ele foi taxista em sua cidade, mas confessa que sempre sonhou em ser caminhoneiro. “Construí meu patrimônio como taxista, mas queria ser caminheiro de todo jeito. Vendi um imóvel e o táxi e comprei meu primeiro caminhão”. Ele afirma que apesar de ter conseguido atingir seu objetivo, está decepcionado com alguns problemas que o caminhoneiro autônomo enfrenta. “Há uma concorrência muito grande, às vezes até desleal, entre os caminhoneiros”, diz referindo-se ao fato de muitos colegas cobrarem valores abaixo do oferecido pelo frete para ganhar o serviço. Muitos até já estão com a entrega fechada e lotam o caminhão com outras cargas para o mesmo destino. Segundo ele, isso tira trabalho de outros caminhoneiros. “Certa vez fechei um frete de São Paulo a Recife por R$ 2.500. Quando fui pegar a carga, descobri que um outro caminhoneiro, já carregado, pegou o serviço por R$ 1.400”. Vilson destaca que não é apenas a concorrência que o preocupa, muitos caminhoneiros, principalmente os que têm veículo financiado usam esta prática com a finalidade de ganhar mais, para ter o dinheiro da prestação. “Eles acabam viajando com excesso de carga e isso põe em risco a segurança dos outros e a própria vida. Ao passar em um buraco com o peso certo não ocorre nada. Mas, se o peso estiver acima do indicado o pneu pode furar e o caminhão pode até tombar”. Ele afirma que não há fiscalização do peso dos caminhões e esse trabalho deveria ser feito. “Os órgãos públicos não estão tomando as providências necessárias para evitar os problemas que o excesso de carga pode causar”.
Vilson também alerta para o mal que representa consumir os ‘arrebites’, para inibir o sono. “Tenho amigos que se aposentaram por invalidez, antes dos 50 anos, porque tiveram problemas cardíacos causados pelos ‘arrebites’”. Com tanto tempo de estrada ele não poderia deixar de ter passado por algum sufoco. Certa vez foi vítima de um assalto na Rodovia Castelo Branco quando trazia uma carga de alumínio de São Luís do Maranhão. Ele foi fechado por outro caminhão e dele desceu um grupo de ladrões. Vilson ficou amarrado por 8 horas, enquando descarregavam sua carga. “Eles disseram que sabiam todo meu iteneário e até informações sobre minha família. Só me soltaram quando terminaram de pegar a carga”. Embora cansado das estradas e de reconhecer os perigos da profissão, Vilson prepara o filho, Alessandro para ser seu sucessor. Em breve será ele quem irá dirigir sozinho o Mecedes-Benz ano 84, modelo 1113. O rapaz acompanha o pai desde pequeno nas viagens. “A primeira viagem que me lembro foi com cinco anos de idade quando fomos a Recife”. Alessandro diz que tornar-se caminhoneiro será inevitável. “Fui criado na estrada. Tenho óleo diesel misturado no sangue”. Até pouco tempo, ele trabalhava como operador de máquina em uma fábrica de produtos plásticos em sua cidade. “Não estava satisfeito no emprego. Trabalhava de segunda a segunda para ganhar R$ 1.200 reais. Era uma rotina desgastante por um salário baixo”. Casado há um ano e meio, ele espera ter mais tempo para ficar com a esposa. “Sei que irei passar alguns dias longe de casa, mas também poderei tirar alguns dias para ficar com ela. Vou fazer meu próprio horário”. Texto: Jorge Carvalho |