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OS CONTRATEMPOS NA ESTRADA

Para evitar problemas mecânicos a manutenção é fundamental

Walter Pereira é paranaense de Guaretá, no norte do estado do Paraná e é caminhoneiro há pouco tempo. Até 2004, trabalhou em uma concessionária de vendas de automóveis. Segundo ele mesmo explica, está realizando um sonho de infância. “Desde criança quis ser caminhoneiro. Trabalhei muito, guardei dinheiro e há três anos pude realizar este objetivo”.

Comprou então um GMC da General Motors, um caminhão leve ano 97, que se tornou o seu ganha-pão. “Hoje faço trabalhos locais como mudanças e também transporte de carga para alguns estados”. Ele afirma que raramente tem problemas mecânicos com seu veículo e que o segredo para isso é fazer uma manutenção constante. “Bem que eu gostaria de ter um veículo novo, mas enquanto isso não é possível, o jeito é tratar bem do que eu tenho”.

Apesar de poucos contratempos na estrada alguns acabam sendo até engraçados. O mais freqüente deles é ter de dormir em cima, embaixo e até dentro do baú do caminhão quando o veículo quebra. “Dormir na cabine do caminhão é desconfortável e tenho que me virar do jeito que é possível. O cansaço acaba sendo tão grande que o sono vem rapidinho, não importa onde esteja acomodado”.

Para quem pretende entrar para este ramo, Walter avisa que viver na estrada é correr riscos e que raramente uma viagem sai do jeito que se planeja. “Quem tem medo melhor não arriscar, pois aquele que pretende ser caminhoneiro precisa deixar o medo de lado. A nossa realidade são as dificuldades e superá-las também é gratificante”.

Sobre a vida na estrada, ele diz que tudo parece conspirar para desestimular o caminhoneiro. Há uma série de obstáculos a serem vencidos, mas mesmo assim, ele não se arrepende de ter investido no projeto de mudar de profissão. Entre eles está o elevado valor dos pedágios que somados, representam um custo bem alto para quem trabalha com transporte de carga e que precisa tirar do valor do frete todas as despesas de uma viagem. “Do Paraná para São Paulo são sete pedágios o que significa R$ 185 só para vir. Imagina então os demais gastos com alimentação e combustível”.

Walter afirma que optou por dar preferência para os trabalhos que não exigem mais de três dias longe de casa. “Tenho esposa e dois filhos adolescentes e não quero passar semanas longe deles. O tempo passa muito rápido e não quero me arrepender por não ter aproveitado a companhia da minha família quando for tarde”. Ele não sabe se os filhos também irão se tornar caminhoneiros, mas o caçula já o acompanhou em algumas viagens e disse que gostou muito. “Ainda é cedo para saber isso com certeza. Quem sabe teremos mais um caminhoneiro na família”.

Texto: Jorge Carvalho

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