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Caminhoneiro internacional Isaltino já transportou carga nos EUA, mas diz que não há lugar como o Brasil
Isaltino Aparecido Moraes tem 63 anos e é caminhoneiro há 48. Como isso é possível? Ele mesmo explica. Nascido em Divinolândia, interior de São Paulo, aos 15 anos “comprou” sua primeira habilitação para poder trabalhar como caminhoneiro. “Nem lembro quanto paguei e nem qual era a moeda da época. Comecei a trabalhar com transporte de carga, mas morria de medo sempre que era parado pela fiscalização na estrada. Poderia ser preso, ou pior, ter o caminhão apreendido”. Ele recorda que rodou com a habilitação falsa até completar a idade certa para dirigir. “Até hoje tenho minha primeira carteira de motorista guardada. Afinal, foi assim que tudo começou”. Após rodar por quase quarenta anos pelas estradas brasileiras, em 2001, foi trabalhar como caminhoneiro nos Estados Unidos.
Segundo ele, há muitos brasileiros trabalhando com transporte de carga na América do Norte. “Muitos amigos foram para lá e me incentivaram dizendo que era um bom negócio”. Isaltino deixou a mulher e os dois filhos aqui e resolveu correr os ricos da aventura, mesmo sem falar inglês. “De início, aprendi o essencial para me comunicar e conseguir um emprego. Com o tempo fui conseguindo dominar o idioma”. Ao contrário do que os amigos diziam, a vida do caminhoneiro nos EUA não era tão melhor que no Brasil. Ele afirma que na comparação, acaba sendo melhor trabalhar aqui com transporte de carga. As vantagens para o caminhoneiro norte-americano são os incentivos que o governo oferece para a compra de uma veículo novo. “Existem isenções e descontos em várias taxas, o que não ocorre aqui”. Para rodar pelas rodovias da América do Norte ele preferiu alugar um veículo. “Enquanto estive por lá só dirigi caminhões novos e com seguro. O problema era o preço do aluguel que era em média de 4 mil dólares”. Com uma dívida mensal deste tamanho, ele afirma que tinha que rodar muito para sobreviver. De acordo com o caminhoneiro, o valor do frete entre Nova Iorque e Los Angeles, cidades que ficam em Estados distantes, era de 3 mil dólares. “Se somar os custos da viagem como alimentação e combustível, quase não tinha lucro”.
No entanto, ele relata que havia outras vantagens, entre elas as ótimas condições das estradas e o fato de não haver os chamados agenciadores de carga. “Todo caminhoneiro, mesmo autônomo, trabalha para uma empresa. Não é necessário correr atrás dos fretes ou ficar esperando para conseguir uma carga para transportar”. Isaltino passou três anos nos Estados Unidos e viveu situações boas e, segundo ele, ruins em sua grande maioria. Uma delas foi descobrir que era alérgico ao pólem de uma flor que nasce no outono. “Devo ter tocado onde havia o pólem e esfregado os olhos. Comecei a sentir uma sensação de ardor que foi ficando insuportável. Mesmo com todo o incômodo concluí o trabalho que havia começado, mas tive que ficar uma semana em repouso para me recuperar da alergia”. De volta ao Brasil há três anos, ele dirige um Mercedes-Benz LP 321. E afirma que a aposentadoria ainda está longe. “Gosto da minha profissão e quero continuar dirigindo pelo País”. Texto: Jorge Carvalho |