|
|
|
|
Cumplicidade na estrada
Com os filhos moços, caminhoneiro optou por viajar com a esposa por todo o país Expedito Henrique de Lucena é caminhoneiro há 25 anos. Antes de trabalhar com transporte de cagas, foi motorista de ônibus em uma empresa de transporte na cidade de Goiânia, onde nasceu. “Não gostava do trabalho. Além de monótono ganhava muito mal”. Enquanto ainda era motorista de ônibus, conheceu a esposa, Edna Lucena, que após os três filhos se tornarem adultos passou a acompanhar o marido em todas as viagens a bordo do Volkswagen 14020, ano 97. “Adorei quando ele decidiu mudar de atividade. Hoje, nosso filho caçula tem 20 anos e podemos estar juntos em casa ou em qualquer outro lugar”, diz Edna.
Apesar de gostar de ter a mulher ao seu lado nas viagens, a sua companhia também representa uma preocupação para Expedito. “Os cuidados para escolher um local seguro para passar a noite ou não exceder os limites de velocidade para evitar acidentes acabam sendo dobrados. Mas é maravilhoso ter uma companhia nas viagens, principalmente, sendo a mulher que escolhi para viver comigo”, diz o apaixonado marido. Mas nem tudo são flores na vida do casal. Expedito reclama do valor do óleo diesel e da variação de preço que acontece entre um estado e outro. O frete para chegar em São Paulo com uma carga procedente de Natal, por exemplo, é de R$ 3 mil, mas ele declara que só de combustível gasta cerda de R$ 2 mil. “O preço do óleo diesel varia entre R$ 1,82 e R$ 2,02, dependendo do Estado onde estou abastecendo. Se somar os gastos com pedágios e alimentação, o lucro que terei será de apenas R$ 600, mesmo economizando o máximo possível”, calcula.
De acordo com ele, o governo federal deveria fiscalizar os postos de combustível em razão da adulteração nas bombas. Segundo Expedito, alguns postos fazem isso para abastecer com menos combustível os veículos do que o registrado no mostrador. “É comum isso acontecer e é um crime o que fazem com nós caminhoneiros. As autoridades não tomam nenhuma providência”, diz indignado. Mas apesar desses problemas, o casal conta que viajando juntos, já viveram diversas situações engraçadas e outras, nem tanto. Uma delas aconteceu assim que ele se tornou caminhoneiro. Expedito lembra que foi em um dia onde houve a mudança no horário de verão. “Tinha que buscar uma carga às 6h da manhã e acordei assustado achando que estava atrasado”, na verdade ele havia acordado às 4h da manhã e estava bem adiantado. Sem saber disso, disparou para o local combinado. No caminho, avistou um carro vindo na contra-mão. “Joguei o carro para a calçada e bati em uma árvore. Evitei a batida, mas no choque quebrei uma perna”. Edna foi avisada do acidente e correu para onde o marido estava. “Demorei uns vinte minutos para chegar até ele”. Ela recorda que se surpreendeu com o fato de ninguém ter chamado o resgate. “Tinha uma multidão em volta do caminhão dizendo que ele estava bêbado. Fui eu que chamei o socorro para meu marido”. Esta semana, eles estão na região do Mercado Municipal, na região central de São Paulo, aguardando por um carregamento para sua cidade. “Não sabemos quanto tempo ficaremos aqui, mas não podemos voltar com o caminhão vazio, é prejuízo na certa”, diz Expedito. Na ocasião desta entrevista, a espera poderia se estender até depois do feriado de 1 de Maio. Texto: Jorge Carvalho |