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O despertar de um caminhoneiro
O gaúcho Sérgio Cezarino conheceu a profissão aos 11 anos e desde então não deixou mais as estradas Como boa parte dos caminhoneiros, Sérgio Cezarino, entrou na profissão por influência de um familiar que já rodava as estradas. Gaúcho, de Santana do Livramento, cidade que se situa na divisa com o Uruguai, ele conta que a vida de viajante do seu cunhado, o despertou. “Meu cunhado foi caminhoneiro e me levou a uma viagem ao Rio de Janeiro quando eu tinha 11 anos. Gostei tanto da experiência que passei a acompanhá-lo sempre que podia”, diz. Com os olhos longe, Cezarino vai relembrando sua história e conta que nunca havia saído da sua cidade natal, quando o cunhado o chamou para a viagem. Claro e evidente que para qualquer criança, a experiência de uma viagem tão longa e na boléia de um caminhão, longe dos olhos cuidadosos da mãe, é inesquecível. As dificuldades, cansaço, expectativa, liberdade, solidariedade entre os companheiros de estrada, enfim, o misto de emoções por quais passa um caminhoneiro, e aos olhos de uma criança, foram suficientes para que Cezarino se tornasse caminhoneiro assim que completou 18 anos! Tanto que ele não sabe o que é ter outra atividade, pois há 20 anos roda, com orgulho as estradas do País, dirigindo o seu Scania 112 H, modelo 83. Satisfeito com o caminhão, Cezarino admite que deseja trocar de veículo assim que for possível. “Quero outro da mesma marca, só que mais novo. O Scania é de fácil manutenção, além disso já conheço toda a sua mecânica”.
Atualmente, ele optou por fazer viagens mais curtas para poder passar mais tempo com a esposa e os dois filhos. “Cheguei a ficar um mês fora de casa. Tenho uma filha de 6 anos e quero aproveitar esta fase. Não vi meu filho mais velho crescer e não quero que isso se repita. Agora, fico no máximo, uma semana longe deles”. Mesmo assim, durante as viagens ele não fica sem ligar para casa mais de dois dias seguidos para saber como estão todos e para contar que está correndo tudo bem na viagem. “A família fica preocupada, pois sabe dos riscos que a estrada oferece. Ligo para tranqüilizá-los. Graças a Deus nunca sofri nenhum acidente grave nem fui assaltado”, diz explicando que não pára na estrada à noite e não dá caronas. “Um veículo parado no acostamento pode estar com algum problema, mas também pode ser uma isca para o caminhoneiro. Um caronista também pode ser um assaltante. Sendo assim, é melhor não arriscar”, ensina. Mas admite que todo caminhoneiro é solidário. “Não só eu, mas todo caminheiro que encontrar um colega ou um motorista, durante o dia, com problemas, certamente irá parar para ajudar”. Aliás, Cezarino afirma que a solidariedade é uma prática comum entre caminhoneiros. “Por estarmos longe da família, as únicas pessoas com quemque temos contato são os colegas. Por isso ocorre esta aproximação entre nós”. Texto: Jorge Carvalho |