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Estrada e diversão Entre as viagens, Sebastião Carlos aproveita para ir à praia e ao forró
Sebastião Carlos Mele, mora em Nerópolis, Goiás e trabalha como caminhoneiro há 34 anos. Antes de viajar pelas estradas do País trabalhou como mecânico de automóveis por quatro anos. Aliás, o fato de ter sido mecânico o ajuda e muito nas situações em que o caminhão tem alguma pane. Mas, a mudança de profissão ocorreu por influência do cunhado que é caminhoneiro. “Era muito jovem quando acompanhei meu cunhado em uma viagem. Imaginei como deveria ser bom viver na estrada. Juntei um dinheiro e financiei um caminhão”. Hoje, possui um Ford Cargo 93. “De todos que já tive nenhum é igual ao Cargo. Se tiver de trocar de veículo terá de ser por outro da mesma marca, só que mais novo”. Outro fator que o levou a trocar de profissão foi a possibilidade de ganhar um salário melhor. “Na época, o valor do frete era mais atraente que hoje. Só para ter uma idéia, era muito mais fácil comprar um caminhão naquela época. Além do mais, como mecânico, eu era empregado e agora trabalho por minha conta”, diz satisfeito. Ele afirma que hoje o custo médio do frete de sua cidade para a capital paulista fica em torno de R$ 1.500. Já os gastos em cada uma de suas viagens varia entre R$ 800 e R$ 1.000. “É preciso rodar muito para conseguir ganhar um dinheiro que compense tanto desgaste e a distância da família”, diz ele recordando da mulher e dos cinco filhos. “Ligo todos os dias para saber se todos estão bem. Não vejo a hora de voltar para casa”. Mesmo assim, Sebastião considera que a troca foi positiva. Ele menciona como justificativa o fato de já ter conseguido quitar o financiamento do seu caminhão, o que representa uma tranqüilidade. “Tendo meu próprio caminhão posso escolher os trabalhos que quero fazer, pois não tenho o compromisso de ganhar o sustento e ainda pagar as prestações”. Para ele, ser caminhoneiro é poder aliar trabalho e diversão. Sebastião diz que pode se dar ao luxo de escolher para qual Estado deseja fazer entregas. “Gosto de aproveitar o lado bom da vida e costumo escolher locais que tenham praia. Assim, o trabalho se torna mais agradável. Também gosto de ir ao Nordeste para ouvir um bom forró”. Mas ele faz questão de destacar que isso só acontece quando o veículo não está carregado. “Trabalhar com transporte de carga é uma responsabilidade muito grande e não dá para deixar tudo de lado para cair na farra. Mas quando o veículo está vazio é outra história, gosto de pegar uma praia, de escutar e dançar um forrozinho”. Se a profissão traz diversão e entretenimento, traz também momentos de solidão, cansaço e pequenos acidentes. Sebastião conta que há dois anos, fraturou o braço quando carregava o baú do caminhão com um freezer. “Não estava sozinho, tinha uns amigos me ajudando a carregar. Improvisamos uma rampa para subir o freezer. Foi quando o danado escapou da rampa e caiu em cima da minha mão. Doeu muito, mas não fui ao médico não. Se fosse, teria que imobilizar a mão e de que jeito eu ia dirigir?” diz. O fato de não ter procurado um médico, pode ter rendido mais trabalho, porém constantemente machuca o mesmo braço. “Há dois meses precisei mexer no motor e tive uma torsão no mesmo lugar, não posso ficar um ou dois meses sem trabalhar, o jeito é ir levando”. Texto: Jorge Carvalho |