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Volta por cima Ver os filhos na Universidade é seu maior orgulho, fruto do seu trabalho
Imaginar que todos os caminhoneiros optam pela profissão em busca de uma vida livre e cheia de aventuras é na verdade, uma certa ingenuidade. Boa parte daqueles que decidem cair na estrada o fazem por pura necessidade. É o caso do catarinense Luiz Fernando Moreira, que morou dez anos no Mato Grosso do Sul, onde trabalhava com transporte de gado. Tudo ia bem até que começaram os freqüentes surtos de febre aftosa no Estado. “Eu ganhava bem transportando o gado de grandes fazendeiros, mas a aftosa acabou com os sonhos de muita gente. Muitos frigoríficos faliram e o desemprego foi muito grande”.
A necessidade de sacrificar várias cabeças de gado e os prejuízos inevitáveis obrigaram os fazendeiros a dispensar os serviços de Luiz, bem como de outros motoristas. “Teve ocasiões em que os fazendeiros queimavam até 2 mil cabeças de gado em um dia para evitar que a doença se espalhasse”, diz contando que eram feitas fogueiras imensas para a ‘cremação’. Sendo assim, a solução foi continuar trabalhando com a única coisa que ele fazia bem: dirigir caminhão. No entanto, o único problema era que Luiz só havia feito trabalhos dentro do Estado e não conhecia quase nada além de Mato Grosso do Sul. Mesmo assim ele estava decidido a encarar o desafio, até porquê, para quem tem mulher e filhos para sustentar nada é obstáculo. Há pouco mais de um ano, Luiz arrumou as malas, fechou a casa e decidiu voltar para sua terra natal, Lajes, em Santa Catarina. Pegou a esposa, os três filhos e pôs o pé na estrada, rumo ao sul do País, onde foi reestruturar a vida. Chegando lá foi dirigir um caminhão modelo 1513 da Mercedes Benz, ano 81 e viaja o Brasil inteiro, principalmente para o Nordeste. Para economizar em suas paradas, prepara ele mesmo as suas refeições. Atualmente, encontra-se há três meses longe de casa e morrendo de saudades de todos. Mesmo assim, garante que a troca foi extremamente positiva, pois apesar de pagar o preço de ficar muito tempo viajando e longe da família, ele conseguiu algumas vitórias. “ A maior delas é ver os meus filhos na Universidade. O mais velho se forma em Direito no fim do ano. Com meu trabalho pude proporcionar a eles algo que eu não tive”. Para diminuir a saudade, ele diz que o jeito é usar o telefone. “Ligo pelo menos duas vezes por semana para minha esposa. Não deixo de perguntar de ninguém. Tenho muita apego à minha família”. Texto: Jorge Carvalho |