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Cobertor de Orelha a bordo

O catarinense José Almir é caminhoneiro há 33 anos e há 18, só viaja se estiver acompanhado da esposa

Para o catarinense José Almir Duarte a estrada é, de fato, parte integrante de sua vida. Não tem outra referência de trabalho, sempre foi caminhoneiro e em sua família, todos são, pai e irmãos. Cresceu na pequena Armazém, cidade de Santa Catarina, vendo o vai e vem do pai pelas cidades do Brasil inteiro e já adulto, nada mais natural do que tornar-se caminhoneiro, nisso já se vão 33 anos de profissão que já lhe rendeu muitas histórias.

Um fato curioso sobre José Almir é que ele não viaja sem a companhia da esposa. É comum ver caminhoneiros acompanhados de mulher e filhos em algumas viagens, mas ele é categórico: “No dia que ela não me acompanhar eu não viajo”, diz o marido apaixonado. Se depender de Edinaval da Silva Duarte, isso nunca vai acontecer. “Podemos dizer que criamos nossos três filhos na estrada. Agora eles estão crescidos, mas continuo acompanhando meu marido e não deixo ele viajar só”.

Casados há 18 anos, eles se conheceram em Recife, durante uma das viagens dele a Pernambuco. Segundo José Almir, ter a esposa ao lado nas viagens é bom por vários motivos. Além de ter uma companhia nas viagens longas, Edinalva também cozinha e ainda tem o melhor da história: “Nas noites frias ainda tenho meu ‘cobertor de orelha’ para me aquecer”, brinca o caminhoneiro.

O lado ruim fica por conta da falta de estrutura que eles encontram nos terminais de carga do País, como o terminal de carga da Rodovia Fernão Dias, em São Paulo.

Para permanecer no estacionamento o caminhoneiro paga uma taxa de R$ 15, porém os únicos banheiros ficam dentro do terminal e longe do local onde ficam os caminhões. Além disso, os banhos são permitidos somente até às 22h. A reclamação ocorre porque não são muitos os caminhoneiros que viajam com as esposas, muitos levam até os filhos e as condições para a permanência das famílias poderiam ser melhores. “Os homens se viram como podem, mas as mulheres e as crianças poderiam ter uma melhor atenção”, diz ele.

Caminhoneiro experiente, José Almir afirma que mais de três décadas na estrada só o fizeram ter mais cuidado e atenção. “O menor descuido pode ser fatal. O caminhoneiro dever ter cautela por si e pelos outros. Afinal, são vidas que estão em jogo”.

Em sua última viagem, além da esposa ele trouxe as cunhadas Dulcinar e Nair para a estrada. Apesar do conforto limitado, elas estão adorando o passeio. “É bom fazer algo diferente e sair da rotina conhecendo novos lugares”, diz Dulcimar.

José Almir dirige um caminhão Scania 112, ano 75, praticamente a extensão da casa da família Duarte

Texto: Jorge Carvalho

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