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“Volvo é Guerreiro” Iniciante na profissão, diz que a experiência está sendo tão boa que já chama o caminhão de guerreiro e quer trazer o sogro para a estrada
Everton Teixeira Quilião é gaúcho de Cachoeira, município próximo a Porto Alegre. Durante cinco anos, ele trabalhou como torneiro mecânico, mas há dois meses decidiu ser caminhoneiro. A escolha se deu um pouco por influência do pai, também caminhoneiro, mas principalmente para tentar oferecer uma vida mais tranqüila à família. “Com o salário de R$ 800 que ganhava era difícil manter mulher e uma filha de 7 anos. Como caminhoneiro espero oferecer uma vida melhor a elas. Hoje, dirige um caminhão Volvo ano 90, mas sonha em adquirir um modelo mais novo, porém da mesma marca. “O Volvo, além de ser mais guerreiro, tem fácil manutenção”, diz explicando que o termo guerreiro é em função da potência e da capacidade de carga. Apesar de ser muito cedo, ele afirma sentir que fez a escolha certa. “Não me arrependo da troca, prefiro ser caminhoneiro a ser torneiro mecânico. O caminhoneiro é livre. Sinto falta da minha família, mas esse é o melhor caminho para nós.
Por estar no começo da profissão escolheu, a princípio, fazer rotas menores, sendo grande parte delas em São Paulo e Minas Gerais. Porém há o inconveniente, muito comum aos caminhoneiros, em entregar a carga e esperar para voltar com o caminhão cheio. Fechar uma carga para o Sul, não é muito fácil não, diz Everton. “O sul compra pouco de outros estados e o resultado disso é que há muitos carregamentos para trazer e quase nada para levar. Para não ter prejuízo, o jeito é esperar até que surja algum trabalho para compensar a viagem” diz. Outro fator destacado pelo rapaz é que há uma diferença muito grande entre os valores pagos para trazer as cargas para o Sudeste e para levar para o Sul. “A média do valor para fazer uma entrega em São Paulo é de R$ 2.100. Já para retornar com uma carga fica em torno de R$ 1.400. Se incluir todos os gastos com a viagem é quase como se estivesse trabalhando de graça”. Ele se refere aos gastos com combustível, pedágio e alimentação, só para citar alguns. Se houver algum problema mecânico no caminho, então o prejuízo é certo. Apesar de pouco experiente, ele sabe que a estrada pode ser traiçoeira, por isso considera que atenção ao dirigir nunca é demais. “Obedecer à sinalização e respeitar os limites de velocidade pode fazer com que a viagem fique mais demorada, mas a vida é um bem muito mais precioso do que o tempo”. Nesta última viagem ele trouxe o sogro para lhe fazer companhia, Paulo Gilberto Alvim de 67 anos. Dono de uma tornearia mecânica em Cachoeira gostou tanto de acompanhar o genro que já considera a possibilidade de se tornar caminhoneiro. “A experiência está sendo ótima. Quem sabe, se os negócios melhorarem, eu compre um caminhão para cair na estrada?” Texto: Jorge Carvalho |