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Espírito aventureiro
Apesar dos riscos e dificuldades, caminhoneiros gostam da vida que levam Fabiano Braz é gaúcho de Novo Hamburgo e há seis anos é caminhoneiro. Antes de cruzar as estradas brasilerias e dos países do Mercosul (Mercado Comum do Cone Sul) ele foi operador de empilhadeira em um empresa de sua cidade. A decisão de trocar de profissão se deu por dois motivos: em razão do seu espírito aventureiro e por in- fluência dos caminhoneiros que já existiam na família. “Tenho um tio, um primo e um irmão que ganham a vida como caminhoneiros. Sempre gostei de aventura e cheguei a acompanhá-los várias vezes em viagens de entrega de mercadorias e me identifiquei com a vida na estrada”, diz. Após algumas dessas viagens, lá estava ele dirigindo um caminhão Scânia, ano 90. Ele afirma que está satisfeito com o veículo. Mas revela ter um sonho de consumo. “Se fosse comprar um caminhão hoje seria um Scânia R 113, isso em função da sua potência”.
Para quem assistiu ao seriado “Carga Pesada” e pensa que a profissão de caminheiro tem algum glamour, Fabiano avisa que na vida real é muito diferente. A saudade da família, as condições das estradas e o perigo de assalto são bem maiores que os mostrados na ficção. Ele recorda que já chegou a ficar 20 dias longe da mulher e do filho e que o tempo na estrada parece se arrastar. “Faço muitas entregas em países que integram o Mercosul, principalmente o Uruguai, atravessar de um país para o outro é um rota muito morosa. Quando estou longe de casa um dia parece uma eternidade e, para aquietar a saudade, nada como o bom chimarrão”, diz. Sobre os perigos nas estradas, o caminhoneiro também afirma que apesar das obras que estão sendo realizadas na BR 101, a Régis Bittencourt, está longe de perder o título de “rodovia da morte”. “Uso muito a estrada e vejo que a quantidade de buracos no asfalto é tão grande que quando terminam de tapar um já surgiram outros dez”.
Quando questionado sobre a falta de segurança, ele lembra do que um colega caminhoneiro que transportava uma carga de aparelhos de ar-condicionado passou nas mãos de assaltantes. O assalto aconteceu no começo da noite na rodovia Presidente Dutra, na chegada a capital paulista. Os ladrões chegaram em dois carros, o primeiro fechou o caminhão e do segundo desceram dois homens que o renderam. “Além de levar o caminhão e a carga, o rapaz foi mantido por 12 horas no banheiro de um barraco em uma favela, sem saber o que iriam fazer com ele. Até que o libertaram”. Para evitar passar por uma situação semelhante Fabiano só dirige durante o dia e próximo de outros caminhões. “Pode até demorar mais, mas a vida é um bem muito precioso. Não se pode arriscar”. Texto: Jorge Carvalho |