Anunciar Meu Cadastro Acesso Integral Loja Virtual Notícias Ajuda
Escolha sua região:
Buscar:
Lições da estrada

Publicado em 30/07/2008

Lições da estrada

Se dependesse da primeira experiência ele não seria caminhoneiro, mas já se vão 30 anos na estrada

Ampliar foto
O primeiro contato com o caminhão foi no depósito de bebidas de um amigo fazendo entregas dentro da cidade

Texto e fotos: Jorge Carvalho

Leocir Serronato, mais conhecido como Dentinho, é de Água Doce, em Santa Catarina, localizada na divisa com o Estado do Paraná. A cidade é conhecida como o maior parque de energia eólica do estado. A energia eólica é obtida pelo movimento do vento, que movimenta as hélices dos moinhos que, ao girar, impulsionam uma bomba (gerador de eletricidade).

Ele é caminhoneiro desde 1978, ou seja, há 30 anos cruza as estradas brasileiras. Mas afirma que, se dependesse da primeira experiência na estrada, nunca mais entraria em uma cabine de caminhão.

Antes de lidar com transporte de cargas trabalhou, ao lado dos seis irmãos mais novos, nas terras do pai na lavoura e na criação de suínos para corte. “Tinha um pequeno pedaço de terra de onde tirávamos nosso sustento. Era uma vida dura, mas era bom porque estávamos sempre unidos.”

Leocir empregou-se em um depósito de bebidas que pertencia a um amigo e passou a fazer entregas dentro da cidade. Certo dia, surgiu a chance de fazer a primeira viagem para fora do estado. E que viagem. Ele foi ajudar na mudança de uma família que estava indo para Rondônia. “Meu patrão costuma fazer entregas longe para as pessoas mais chegadas. Ele me perguntou se eu aceitaria fazer a mudança. E aceitei.”

A mudança foi feita no mesmo caminhão que era usado para entregar os engradados de bebidas. Leocir pegou o trabalho porque era a oportunidade de fazer algo diferente e ganhar um dinheiro extra.

Ele recorda que a viagem de ida foi um verdadeiro trauma, pois teve vários problemas. Aos poucos, a idéia de estar fazendo algo novo foi dando lugar a uma sensação de arrependimento. “Toda a família foi comigo. O marido, a mulher e os dois filhos. Passamos 30 dias viajando. Eu não conhecia o trajeto, as estradas eram estreitas e poucos trechos eram asfaltados. Eu era muito jovem e tive que fazer um esforço enorme para não entrar em pânico.”

Mas a viagem de volta reservava uma outra surpresa. O então jovem motorista aproveitou que o caminhão estava vazio para trazer uma carga de toras de madeira para a região sul. Foi aí que os problemas recomeçaram. “Quando estava no Mato Grosso o motor fundiu. Tive que deixar a carga para outro caminhoneiro e correr atrás de um mecânico. Gastei o dinheiro que tinha para pagar o conserto.”

Quando conseguiu voltar a sua cidade estava decidido a nunca mais trabalhar com transporte. Mas seu chefe o fez mudar de idéia com argumentos muito fortes. “Ele prometeu dobrar o meu salário e me ofereceu um caminhão mais novo. Aceitei a proposta e levo até hoje a vida na estrada.”

Hoje, ele dirige um Mercedes-Benz 1113 ano 1975, e critica as medidas tomadas pela prefeitura de São Paulo que restringem a circulação de caminhões na cidade. “O maior problema está ligado à questão da segurança dos caminhoneiros, que estarão sujeitos a assaltos tendo que trabalhar à noite. Mas acredito que a lei vai se tornar mais amena em pouco tempo.”

Ampliar foto
O primeiro contato com o caminhão foi no depósito de bebidas de um amigo fazendo entregas dentro da cidade



Anuncie aqui seu caminhão
Compre aqui seu caminhão
Leia a versão digital do jornal Transposhop

 Envie esta página para seus amigos


Enviar