Publicado em 23/07/2008
Xô estresse!
Auro Silveira tornou-se caminhoneiro para fugir da confusão do trânsito urbano

Texto e fotos: Jorge Carvalho
Existem muitas profissões consideradas insalubres, ou seja, que com o passar do tempo promovem algum mal à saúde de quem a realiza.
Foi por causa de problemas com a saúde que Auro Silveira trocou as ruas de Porto Alegre pelas estradas que atravessam o País.
Ele é gaúcho de Alegrete, cidade que fica na divisa do Brasil com a Argentina. Auro trabalha como caminhoneiro há 23 anos e antes disso foi motorista de ônibus municipal em Porto Alegre, para onde mudou-se visando melhores condições de emprego.
Após alguns anos na empresa de ônibus, decidiu mudar de área por causa de problemas de saúde que começaram a surgir. Na época, começou a sentir dores nas articulações, principalmente nos joelhos, e também na coluna, além de desenvolver uma gastrite em razão do estresse e do nervosismo que a profissão provoca. “Tudo em razão da profissão. Por incrível que pareça, Porto Alegre é uma das piores cidades que existem para se dirigir.”
Segundo ele, trabalhar no trânsito da capital gaúcha e em todo o Rio Grande do Sul é pior do que dirigir em São Paulo, por motivos bem específicos. “Aqui, quando o motorista de um veículo grande liga a seta, o veículo que vem atrás reduz a velocidade. No meu estado isso não acontece. Os motoristas que vêm atrás querem ultrapassar de qualquer jeito. O gaúcho é muito imprudente.”
Na profissão de caminhoneiro ele viu a possibilidade de livrar-se do trânsito e dos problemas de saúde que poderiam agravar-se com o passar do tempo. “Os males que passei a sofrer são incuráveis, mas hoje estou melhor do que naquela época. Vou levando do jeito que dá.”

Se você está se perguntando como a troca de profissão pode ser benéfica, Auro afirma que isso não é difícil de explicar. “Na profissão de caminhoneiro existe muita liberdade. Escolho o meu destino, faço o meu horário. No meu caso, a troca foi ótima. Não me arrependo em absolutamente nada. Só paro quando me aposentar.”
Apesar de a saúde e o bem terem pesado na troca de atividade, ele admite que teve uma certa influência do pai caminhoneiro, hoje falecido, para escolher o transporte de carga como sua nova profissão. “Eu poderia ter optado por qualquer outro trabalho, mas escolhi ser caminhoneiro porque achava bonito ver meu pai dirigir um veículo grande.”
O gaúcho diz que desde criança acompanhava o pai em várias viagens. A que traz recordações mais marcantes foi para a cidade de Pirassununga, no interior de São Paulo.
Foi no final dos anos 60. Ele recorda que, na época, a maioria das estradas não eram asfaltas e as dificuldades para viajar pelo País e a demora para chegar a um destino eram muito grandes. “Foi uma semana muito agitada, tendo que trocar pneu furado, desatolar o caminhão e dormindo na cabine. Além disso, as pontes sobre os rios eram estreitas e só passava um caminhão de cada vez. Problemas que não existem hoje.”
Atualmente, ele dirige um Scania modelo 420 ano 2000, se considera um felizardo. “Em mais de 20 anos nunca passei por nenhum problema na estrada. Espero que tudo continue assim.”