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Ao lado de quem se ama

Publicado em 16/07/2008

Ao lado de quem se ama

Após 15 anos levando a vida na estrada, gaúcho quer passar mais tempo em casa com a família

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A primeira viagem deu muita dor de cabeça pois o “vovô” que dirigia na época quebrou várias vezes

Texto e fotos: Jorge Carvalho

O gaúcho Ubirajara de Oliveira não tem medo de arriscar na hora de fazer uma escolha. Vai à luta e, se der algo errado, assume as conseqüências e começa tudo de novo.

Ele nasceu em Panambi, cidade que fica no extremo sul de seu Estado. Ainda jovem mudou-se para Novo Hamburgo, cidade conhecida em todo o Brasil como a capital dos calçados. Foi pedreiro e também trabalhou no setor calçadista. Até que resolveu mudar de vida outra vez. Comprou um caminhão e foi lidar com transporte de cargas.

Ele acaba de completar 15 anos como caminhoneiro e diz que sua grande influência foi o pai, que trabalhava na construção civil. “Ele dirigia aqueles caminhões enormes no canteiro de obras. Desde pequeno sempre fui louco por caminhões. A admiração que eu tinha por meu pai foi simportante para fazer a escolha da minha profissão atual.”

A diferença entre eles é que Ubirajara optou pela vida na estrada e pelas viagens Brasil afora. Na sua primeira oportunidade na nova profissão ele teve de enfrentar situações que poderiam tê-lo feito mudar de idéia. A viagem foi de Porto Alegre a São Paulo para trazer a mudança de uma família.

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Ele quer vender o Mercedes-Benz 1618 ano 1995 para comprar um caminhão menor

Dessa primeira entrega não ficaram boas recordações. Ele recorda que teve mais prejuízo que lucro, pois o caminhão, muito velho, um Mercedes-Benz modelo 1113 ano 1963, quebrou várias vezes na estrada. “O caminhão era tão velho que apelidei ele de ‘vovô’. Na época foi o que deu para comprar.”

Os donos dos móveis vieram antes e para o caminhoneiro restou fazer a viagem sozinho. Ele calcula que em condições normais a viagem duraria cerca de 24 horas, mas com todos os problemas que enfrentou, demorou três dias. Inexperiente e desprevenido, não sabia como lidar com as adversidades e o dinheiro que tinha no bolso não cobria os custos das despesas geradas pelos problemas. “Levei prejuízo. Além disso, o dono dos móveis já estava em pânico achando que eu tinha fugido com as coisas dele. Tive que me desculpar, apesar de não ter culpa pelo que aconteceu.”

Hoje ele é dono de um Mercedes-Benz 1618 ano 1995, mas já faz planos de mudar novamente de atividade. Ubirajara quer vender o caminhão e comprar um veículo de carga menor para trabalhar com entregas dentro da cidade. Casado e pai de dois filhos, pare ele, esta será uma forma de conseguir passar mais tempo com a família. Após cada viagem, ele diz que fica no máximo três dias em casa para, em seguida, cair na estrada novamente.

Em algumas oportunidades sua esposa o acompanha, mas são raras as vezes que isso é possível. “Gosto muito quando ela pode vir comigo, mas alguém precisa ficar em casa para cuidar dos ‘guris’. Mas os dias de solidão das viagens estão chegando ao fim.” Sua esposa está ansiosa para que ele deixe logo a profissão e fique mais tempo em casa.

“Passo mais tempo viajando do que com minha família. Já cheguei a ficar um mês viajando. Não quero continuar morando no caminhão. Agora quero me dedicar às pessoas que amo. Já abri mão por muito tempo da companhia deles.”

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