Publicado em 02/07/2008
Sério sim, mal-humorado nunca
Nelson Domingues teve uma infância diferente da de outros meninos de sua idade: não brincava de carrinho; dirigia caminhões de gente

Fotos: Divulgação
Luiz Plínio é um homem sério e de poucas palavras. Sua personalidade foi moldada primeiro na vida dura do campo e lapidada nas dificuldades da profissão de caminhoneiro.
Mas nem por isso ele deixou de ser educado e receptivo. Fala da rotina da estrada com a propriedade de quem exerce a atividade há quarenta anos e orgulha-se de ter se tornado caminhoneiro por escolha própria, e não pela influência dos outros.
Aliás, ele diz que serviu de espelho para que os dois filhos e genro fossem rodar o País dentro de caminhões para ganhar a vida. “Hoje, tenho uma família de caminhoneiros e todos estão muito bem com a escolha que fizeram.”
Antes de trabalhar com transporte de carga foi lavrador em uma das fazendas na região agrícola próxima da capital gaúcha. Insatisfeito com a rotina que levava, decidiu trocar de profissão e tornou-se caminhoneiro na tentativa de mudar de vida.
Luiz não era o proprietário da terra e temia permanecer como empregado pelo resto da vida. “Ser caminhoneiro foi a maneira mais rápida de deixar o trabalho no campo para ganhar um pouco melhor. Além disso, já estava bem cansado da rotina da fazenda. Aquela vida não era para mim.”
Seu primeiro compromisso de trabalho foi uma viagem para Curitiba. Ele recorda que desde os primeiros momentos da viagem sentiu que tinha nascido para a profissão. “A sensação que tive foi de uma liberdade que até então não conhecia. Não fiquei nervoso por viajar sozinho ou ter de cumprir prazo. Finalmente, estava fazendo o que queria.”

Gaúcho de Porto Alegre - RS, cidade que tem uma posição estratégica na exportação de produtos brasileiros para os países que formam o Mercosul (Mercado Comum do Sul) pois está a 1.048 km de Buenos Aires, na Argentina, e a 2.408 km de Santiago, no Chile, só para citar alguns exemplos. Não é à toa que a cidade é definida como “Capital do Mercosul.”
Por viver na capital gaúcha, durante 14 anos Luiz fez as rotas que ligam Brasil, Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. “Naquela época eu transportava de tudo. De grãos a peças de automóveis. A vida na estrada é assim, ninguém escolhe trabalho. Desde que não seja nada ilegal, é claro.”
Segundo ele, a maior diferença entre rodar no Brasil e nas estradas destes países é a forma como a Polícia Rodoviária realiza o seu trabalho.
Ao longo de quatro décadas de profissão, ele passou a ter seus roteiros prediletos pelo Brasil. “Meu destino preferido é o Nordeste por causa do clima, principalmente, Fortaleza. Sou um gaúcho que não gosta de frio.”
Mas existem aqueles lugares em que só vai mesmo com seu Scania, modelo P 93 ano 1988, por motivos de trabalho. “Só venho para São Paulo por obrigação. Não gosto da confusão que existe na cidade. Gosto de tranqüilidade.”