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Cabeça feita

Publicado em 11/06/2008

Cabeça feita

Conhecer o Brasil inteiro cruzando as estradas de asfalto ou de terra era, desde que tirou a habilitação, a proposta de vida do matogrossense que já sabia que queria ser caminhoneiro

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Planos de um dia levar a mulher e os cinco filhos para uma viagem

Texto e fotos: Jorge Carvalho

Nilson Gomes da Silva é de Tangará da Serra, cidade do Sudoeste do Mato Grosso localizada a 240 quilômetros da capital, Cuiabá. A cidade é famosa por suas belezas naturais como os rios e cachoeiras de águas cristalinas. O chamado “turismo de aventura” é uma das atrações do município. Mas Tangará da Serra também possui a agricultura e a pecuária muito desenvolvidas. A criação de gado de corte, produção de grãos, cana-de-açúcar e abacaxi movimentou a economia e a tornou uma das cidades mais ricas do Estado.

Ainda muito jovem, Nilson foi trabalhar com caminhão. No começo, fazendo transporte da produção agrícola dentro do município. “Tirei minha habilitação aos 18 anos já decidido a trabalhar com transporte de carga. Não tive influência de ninguém. Foi uma decisão minha.” De dez anos para cá passou a transportar produtos para outros Estados. Sua primeira viagem foi para o Rio Grande do Sul, buscar uma carga de eletrodomésticos, mais precisamente, aspiradores de pó. Ele admite que sentiu um certo nervosismo pois, até então, nunca havia ido para longe de casa. “Fiquei apreensivo no começo, mas ao mesmo tempo estava muito excitado com a nova experiência. Mas sabia que era normal. Afinal, tudo que é novo preocupa no começo.”

Não demorou para ganhar confiança e tirar de letra os desafios da estrada. Entre seus destinos preferidos estão Minas Gerais e a capital paulista. Segundo Nilson, estes são os lugares com maior oferta de produtos para serem transportados. Mas quando o assunto é passeio, ele prefere ir com seu Volkswagen 18310 ano 2004 ao interior do Estado de São Paulo e visitar cidades como Atibaia, por exemplo. “O interior paulista é muito bonito, além de ter restaurantes onde se come bem sem precisar pagar caro.”

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Pronto para seguir viagem para Manaus, sem data para voltar

Para ele, ter um caminhão novo é muito bom, pois os veículos menos rodados são mais econômicos, têm manutenção mais fácil e dificilmente deixam o caminhoneiro na mão. No entanto, ele afirma que seu Volkswagen fica devendo em relação ao conforto da cabine, levando desvantagem em relação às outras marcas. “Há pouco espaço para dormir e quem viaja e precisa do caminhão para descansar acaba sofrendo um pouco.”

Viajar com a família? Nem pensar. Casado e pai de cinco filhos, Nilson nunca contou com companhia da esposa ou das crianças nos compromissos de trabalho. “As condições nas viagens são duras e não quero que eles passem por isso. Mas ainda quero poder trazê-los comigo um dia. Só não sei quando.”

Enquanto isso, ele vai tendo que lidar com a saudade. O caminhoneiro diz que é normal ficar até dois meses longe de casa. Seu destino, na época desta entrevista, era para Manaus, no Amazonas, sem data para voltar. “A vida de caminhoneiro possibilita conhecer lugares maravilhosos e pessoas fantásticas. Mas o preço é alto. Paga-se com a solidão e com a saudade de casa. Cada escolha tem seus efeitos. Que bom que conto com a compreensão de minha família.”

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