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Publicado em 28/05/2008 Quase quatro décadas de estradas![]()
Não perder a calma é fundamental para superar as surpresas negativas da estradaTexto e fotos: Jorge Carvalho O gaúcho Gilberto da Rosa Costa pode ser citado como exemplo de verdadeiro amor pela profissão, afinal, são quase quatro décadas como caminhoneiro sem nunca questionar sua profissão. É convicto e fechado com o seu ofício. Nascido em Pelotas e caminhoneiro há 38 anos, nem pensa em parar de rodar o País em seu Mercedes-Benz 1113 ano 1970. Viúvo e com os filhos criados, sua companheira é a estrada. Antes de lidar com frete, foi motorista de ônibus de uma linha municipal. Mas segundo ele mesmo explica, o desejo de ser caminhoneiro existia desde quando ainda era criança. “Quis ser caminhoneiro no momento em que ouvi o barulho do motor de um caminhão pela primeira vez.” A paixão era tanta que seus brinquedos preferidos eram os pequenos caminhões de madeira que ele próprio fazia. “Eu achava lindo ver aqueles veículos enormes circulando pelas ruas. Meu destino era mesmo ser caminhoneiro um dia.” Outro fator que o influenciou na decisão foi o fato de um de seus tios trabalhar com transporte de cargas. “O primeiro caminhão que vi, aos seis anos, foi o que pertencia ao meu tio, um Ford ano 52. Foi por causa dele que surgiu o interesse pela profissão.” ![]()
No começo, ele fazia as entregas apenas no Rio Grande do Sul. Com o passar do tempo surgiu a vontade de conhecer outros Estados. A primeira viagem para outra região foi em meados dos anos 70 para o Rio de Janeiro. Só que marcante mesmo, foi a primeira viagem a São Paulo. “Eram tantos carros nas ruas que fiquei impressionado. Além disso, não conhecia nada na cidade. Cheguei a ter medo de não conseguir voltar para Pelotas. Coisa de quem ainda é muito jovem e não estava acostumado com a rotina da vida de um caminhoneiro”, conclui ele mesmo. Gilberto diz que, apesar dos mais de trinta anos que separam sua primeira viagem à capital paulista de hoje, não se espanta mais com o trânsito. “Acabei me acostumando. Já estive tantas vezes em São Paulo que isso não me preocupa mais.” De acordo com o gaúcho, o que havia de melhor naquele tempo era a grande quantidade de trabalho. “Não ficava mais de dois dias sem viajar. As empresas iam me procurar em casa. Hoje, a concorrência é muito maior. Tem caminhoneiros demais e entregas de menos.” Como a maioria dos caminhoneiros, Gilberto não gosta de dar caronas. Ele diz que durante todo esse tempo na estrada, só abriu uma exceção e conta o caso: “Certa vez, no trajeto entre Pelotas a Porto Alegre, havia uma senhora bonita e bem vestida pedindo carona. Parei para saber qual era o destino da mulher. Ela disse que iria apenas 50 quilômetros adiante, decidi ajudá-la. Ao chegar em um trecho da rodovia, ela pediu que eu parasse perto de uma ponte, pois ali pegaria um ônibus. Como era um local deserto, fiquei meio ressabiado e não parei. Andei mais uns cinqüenta metros e ela começou a reclamar. Quando parei, a mulher desceu do caminhão e nem agradeceu pelo favor. Dias depois fiquei sabendo que um colega caminhoneiro havia sido assaltado após dar carona a uma mulher e parar próximo a uma ponte na estrada. E a mulher tinha a mesma descrição da senhora bem vestida que entrou no meu caminhão dias antes. Ela fazia parte de uma quadrilha que assaltava caminhoneiros e eu quase fui uma das vítimas. Por isso não dou carona para desconhecidos!” Leia mais
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