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Publicado em 21/05/2008

Cabeça fria e bom humor

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Nelson Krause

Não perder a calma é fundamental para superar as surpresas negativas da estrada

Texto e fotos: Jorge Carvalho

A vida na estrada reserva surpresas de todos os tipos para quem dela tira o pão de cada dia. O importante é manter a cabeça fria e saber lidar com as adversidades. Em muitos momentos foi o que Nelson Krause precisou fazer para conseguir sair de situações que tirariam o bom humor de qualquer um. Mas essa é outra parte da história.

Nelson é catarinense de Pomerode, considerada a cidade mais alemã do Brasil. Segundo o caminhoneiro, a principal característica do município é a culinária típica alemã. Lá se come muito chucrute (repolho em conserva) e o aisben (joelho de porco), mas garante que não sente falta destes pratos durante os longos períodos que passa na estrada.

Quando está viajando, principalmente para o Norte e Nordeste, sente saudade mesmo é de um bom churrasco. “Não são apenas os gaúchos que sabem assar uma boa carne. Prepará-la na brasa é algo que os pomerodenses apreciam muito e sabem fazer.”

Caminhoneiro há 30 anos, antes de ’rodar’ as estradas teve outras profissões como, por exemplo, garçom e ajudante-geral. Tanto ele como os três irmãos entraram para o ramo de transporte de cargas por influência dos tios, donos de uma empresa de transportes.

“Meus irmãos foram primeiro. Eu demorei um pouco, mas acabei me empregando na empresa. A experiência foi ótima e não deixei mais a vida na estrada.”

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Nelson Krause

Da primeira viagem ele lembra muito bem. Trouxe um carregamento de porcelanas de Pomerode para Mauá, em São Paulo. Ele recorda que a viagem correu bem por todo o percurso mas tudo mudou quando chegou na capital paulista. Nelson ficou impressionado com a quantidade de carros e de pessoas na cidade. “Fui criado no interior de Santa Catarina, Pomerode é uma cidadezinha pequenina; ver, pela primeira vez, a grandiosidade de São Paulo, foi algo que me surpreendeu e assustou um pouco.”

Vale lembrar que isso foi há 30 anos. Nestas três décadas a cidade cresceu muito e, na opinião de Nelson, piorou em alguns quesitos como segurança e trânsito. “Hoje existem muitos carros nas ruas e os assaltos tornaram-se coisas comuns. Mas quem conhece a cidade sempre quer voltar.”

Ele afirma que já trabalhou com todas as marcas de caminhões e dirige um Volkswagen 35.300 ano 91. Se pudesse trocar de veículo optaria por um Scania novo. “Na minha opinião, os caminhões da Scania são os reis da estrada. Eles têm cabines mais espaçosas e são bons para dirigir pois tem direção e marchas fáceis de manusear.”

Nestes 30 anos de profissão, Nelson passou por várias situações engraçadas na estrada e outras sem nenhuma graça. Uma delas foi quando passava por Petrolina, em Pernambuco, o caminhão quebrou em um trecho da estrada onde não se via uma “alma-viva”. Ele conta que conseguiu chegar, a pé, até a entrada de uma fazenda e teve que dormir por duas noites na guarita do vigia. Só conseguiu chegar à cidade quando passou um ônibus lotado.

“Por três horas fomos sacolejando por uma estrada toda esburacada. Além dos passageiros havia animais como galinhas, porcos e bodes. Parecia coisa de filme.”, descreve rindo. Só quando conseguiu chegar à cidade é que pode avisar a empresa o que ocorreu. “Liguei para informar sobre o imprevisto e fui procurar por uma oficina mecânica. Hoje lembro e acho graça, mas na época foi um sufoco danado.”

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