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Publicado em 07/05/2008

Carisma e simpatia

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Waldir Dias Gonzaga

Bem humorado, mineiro já viveu muitas situações engraçadas na estrada e conta algumas delas

Texto e fotos: Jorge Carvalho

Caminhoneiro há 15 anos, o mineiro Waldir Dias Gonzaga nasceu em Formiga e antes de trabalhar com transporte de carga foi motorista de ônibus de viagem. Embora não tenha nenhum parente caminhoneiro decidiu seguir a profissão porque, desde criança, gostava de admirar os veículos grandes e pesados que via na rua, principalmente, os que tinham baú. “Naquele tempo me intrigava, achava bonito. Hoje é meu ganha pão.”

Da maneira como entrou para o ramo, e da primeira viagem de trabalho ele diz que nunca irá esquecer. Waldir recorda que estava em casa com o rádio sintonizado em uma emissora local quando ouviu o que considerou a grande oportunidade de sua vida. “Na época havia um programa que anunciava oportunidades de empregos. Disseram no ar que uma transportadora estava contratando caminhoneiros para trabalhar em Belo Horizonte. Decidi tentar a vaga.”

Apesar de já ter a habilitação necessária, Waldir conta que não tinha experiência no ramo, mas passou na entrevista. “Era a chance de realizar um sonho antigo. Larguei o emprego na empresa de ônibus e fui ganhar o mundo. Gostei tanto de trabalhar com transporte de carga que não parei mais.”

A primeira viagem não foi tão simples quanto ganhar o emprego. Ele teve de levar uma motoniveladora para uma mineradora na Serra dos Carajás, no Pará. “Me perguntaram se eu conhecia a Serra dos Carajás e eu disse que sim. Não queria fazer feio. Na verdade só conhecia o lugar no mapa.”

Ele recorda que por pouco não se arrependeu de ter mentido. Após fazer a entrega quis saber qual era a carga que deveria levar para Minas Gerais. Aí veio a surpresa ruim. “Disseram que eu não iria voltar. Me mandaram pegar um outro caminhão e fazer entregas no trecho Belém-Serra dos Carajás. Fiquei oito meses fazendo o mesmo trajeto.”

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Waldir Dias Gonzaga

Hoje, dirige um Mercedes-Benz 1622, ano 2001, e nestes quinze anos de estrada Waldir afirma que passou por muitas situações engraçadas. A maior delas foi quando voltava da capital paraense com uma carga de caixões para entregar em Belo Horizonte. Ele diz que caía uma chuva forte quando de repente viu uma pessoa pedindo carona na estrada. Notou que se tratava de um homem muito humilde e decidiu ajudar.

Muito observador, o caminhoneiro não deixou de notar que as botas do homem estavam enlameadas e para não sujar o interior da cabine pediu para que o carona fosse na caçamba junto com a carga. “Disse que, para se proteger da chuva, poderia ir embaixo da lona. O homem aceitou e segui viagem.”

Rindo bastante, ele conta que um pouco mais adiante havia outro homem, também pedindo carona. Não hesitou em ajudar. Ao notar que o segundo carona também tinha os sapatos cheios de lama pediu que ele também se acomodasse embaixo da lona junto com a carga.

Para sua surpresa, o homem mal subiu no veículo e já desceu correndo com cara de assustado. O caminhoneiro perguntou o que havia ocorrido e caiu na risada com a resposta. “O homem disse que uma voz vinda de um dos caixões perguntou se a chuva já havia passado. Na verdade era o primeiro carona que havia entrado em um caixão e pegou no sono.” São as histórias vividas nas estradas que fazem com que Waldir não abra mão da sua profissão.

Leia mais
  • Transporte de cargas e de histórias - Publicado em 30/04/2008

  • De volta para o aconchego - Publicado em 09/04/2008


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