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Publicado em 12/06/2003

Veneno - Diego, Zézinho e suas motos


O senhor Diego Moreno, espanhol de nascimento, é de 1935. Nasceu em meio às motos, seu pai tinha uma oficina.

veneno95a.gif (14701 bytes)Está no sangue espanhol o gosto por veículos de duas rodas, tanto bicicletas como motos são suas paixões. Na Espanha, corridas de motos atraem mais público que as de automóveis. Não sei não, mas creio que essa paixão provém da ligação que esse bravo povo sempre teve com os cavalos. Seus cavalos Andaluzes, os que são usados em touradas, estão entre as melhores raças do mundo, tanto em beleza, como em ligação estreita com o ser humano. São cavalos que, montados por um bom cavaleiro, formam um só corpo. Sua elevada inteligência o capacita a entender os comandos; sua disposição para o trabalho, para a lida com ferozes touros Miura, os tornam uma tremenda máquina de emoções fortes. E essas emoções se tornaram uma necessidade aos espanhóis, creio eu, e hoje são nas motos que as buscam; e o fazem muito bem.

Não perguntei, mas posso apostar que o sr. Diego, assim como seu filho José, o Zézinho, têm em suas veias um monte de sangue de valentes cavaleiros, e agora, em meio ao asfalto, galopam velozmente suas motos.

O sr. Diego foi um grande piloto de moto. Logo após sua vinda com a família ao Brasil em 1955, já em 1958 começou a participar de corridas em Interlagos. A primeira moto de competição foi uma Monark 125 cc. Logo após, com o fechamento das importações, passou para as motonetas — as Lambrettas mexidas — , e em 1960 conseguiu um feito raro: venceu todas as corridas!

Não eram corridas fáceis. Os exemplos foram provas de 200 km e outras com 6 horas de duração; por aí temos uma idéia da pauleira. Seis horas com uma motoneta vibrando no meio das pernas... haja! Com aqueles pneuzinhos de carrinho de mão, escapando ao menor buraquinho, e buracos é que não faltavam na pista de Interlagos de então. Haja valentia e determinação, só muita raça e gosto pela coisa, para agüentar.

E assim, Diego continuou colecionando vitórias até que, em 1964, a Lambretta retira-se das competições, e com isso as competições motociclísticas vão ao ostracismo. Diego dedica-se então somente às suas lojas de revenda e oficina de motos.

veneno95b.gif (21162 bytes)Mas, certas coisas não têm jeito e com a retomada das competições no fim da década de 60, Diego retorna às pistas, mas agora como dono de equipe, a Equipe SPA. A equipe era formada por excelentes pilotos, dentre eles Nivanor Bernardi e Paulo “Paulé” Salvallagio.

veneno95c.gif (20710 bytes)Diego volta às pistas disputando algumas provas, como a 24 Horas de Interlagos, e, na maioria das vezes pilotando Suzuki 500, um demônio de moto. Nessa época as motos eram boas de motor, e só. Andavam pra assustar os demônios, mas não freavam ou curvavam como as de hoje, eram perigosíssimas. Posso dizê-lo por experiência própria, pois cansei de andar na famosa Honda 750 K (a minha tinha o motor preparado para 880 cc — estúpida, carrasca! que delícia de ronco faziam os 4 cilindros!). Em suma, a ciclística das motos era muito primária em relação à potência que produziam.

Uma moto famosa por sua periculosidade era a Yamaha 350. Era leve, não curvava bem, a traseira era boba, motor 2 tempos que subia de giro como se fosse turbinada, freio requenguelo a tambor nas duas rodas, em suma, fazia juz ao apelido “Viúva Negra” que lhe deram. Essa moto matou muita gente, tanto que, se algum conhecido a comprasse, coçávamos o queixo, baixávamos a cabeça, e já imaginávamos o mundo sem esse sujeito.

Outra moto encapetada era a Suzuki GT 380. Motor 2 tempos, 3 cilindros, que andava fazendo frente à Viúva. Vi várias dessas na loja do sr. Diego e do Zézinho, a maioria muito zeradas — uma prateada até estava zero-bala, impecável.

A Suzuki 550, também 2T e 3 cil. era nessa época a moto que mais andava, ou seja, mais arrancava, e dessas a loja tem algumas, e boas; dão medo só de lhes tirar a capa e lembrar do perigo que emanam — parece que saem afiadas garras de seus ferros.

Zézinho Moreno, filho de Diego, começou cedo nas pistas. Venceu os campeonatos de 1977, 78 e 79 com seu ciclomotor preparado pelo pai, ou seja, o Zézinho era osso duro desde moleque... genética, pura genética.

Seguiu carreira e foi bem sucedido nas pistas, onde conviveu com o Alexandre Barros, nosso maior piloto em provas motociclísticas. Zézinho me disse que o Alexandre era completamente maluco em cima de uma moto, dispensável dizê-lo...

Zézinho simpaticamente foi tirando capas das raridades e me contando suas características. Vejamos:
Uma 90 Trail da Honda, ano 70, novinha, babei. Lembro que quando moleque, aqui na fazenda, eu sonhava com uma dessas. Ela até tem um bagageiro onde eu poderia botar uma caixa e levar meu cachorro Zorro em passeios mais longos...

veneno95e.gif (17494 bytes)Duas Matchless 500, ano 50, monocilíndricas, inglesas, banco único com molas, cárter seco, pedal de marchas no pé direito e freio no esquerdo — como eram as inglesas e italianas de então —, placa longitudinal no pára-lama dianteiro. Uma restaurada, zerada. Outra intocada, em bom estado.

veneno95f.gif (16907 bytes)Duas motos 6 cilindros: uma Kawazaki 1300, ano 80, com 6 cilindros, 120 cv. Terror! Uma Honda CBX 1000, ano 80, 105 cv. Nossa! Quanto peso elas levavam na frente! Como eram difíceis de curvar com elas!
Quanto peso alto! Como eram pesadas para se reeguerem na saída das curvas! Como andavam nas retas! Que suavidade de funcionamento!

veneno95d.gif (18069 bytes)Outra moto que fez furor em sua época foi a Yamaha TX 650, bicilíndrica, dois enormes cilindrões verticais que vibravam um bocado em marcha lenta. Tanto a moto vibrava, que um amigo possuidor de uma dessas me disse que parou para comprar cigarros, deixou a namorada sentada na moto ligada, esperando; ao voltar ele teve que beijá-la pois ela já estava chegando nos finalmentes, suspirando. O tanque foi arranhado. Boa moto, colaboradora, adiantava o serviço... A que está à venda é uma 74 e funciona direitinho.

Uma 400 four. Ah! Que motorzinho suave! Quatro cilindros, com somente 100 cm3 cada. Um primor de motor! Moto boa, boa ciclística. Eles têm uma amarela, reformada, zerinho, ano 76.

veneno95g.gif (18648 bytes)Outra curiosidade é VF 750 Sabre, motor 4 cil em V, transmissão por eixo cardã, raridade. Suspensão dianteira com sistema antimergulho, que, ao acionar-se o freio dianteiro, a passagem do óleo dos amortecedores é restringida, endurecendo-os. Assim eles não aceitam ser pressionados, o que impede a embicada durante a freada da moto.

Lambrettas, 750 Four, 750 K, Goldwings, BMWs, AJS 500 ano 51, Sunbean 52, Suzukis cinqüentinha, Honda cinqüen-tinha, são outra atrações à mostra.

Bem, resumindo: que tal uma viagem no tempo? Então, façam uma visita ao sr. Diego e ao Zézinho, e divirtam-se. A San Diego Motos fica na rua Ministro Ferreira Alves 575, Pompéia. Tel: 3872-2099.


veneno35c.gif (18042 bytes)Um abraço, do amigo Arnaldo.



 

Arnaldo Keller

 

 

apoio
FENO DE COAST-CROSS E TIFTON
FAZENDA CACHOEIRINHA
PIRASSUNUNGA — SP
tel. 19-9729.1778
arnaldokeller@yahoo.com.br

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